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sábado, 20 de janeiro de 2018

6 dicas de conteúdos para planejar suas atividades em oficinas e na escola

Começo de ano é um momento de realização de planejamentos né verdade? Desde os planejamentos pessoais aos profissionais e em alguma medida sociais. Passada as euforias das festas e
comemorações de fim de ano, nós nos programamos para cumprir e realizar desejos de melhoria em nossas vidas.

Pois bem, o planejamento é um caminho interessante para não repetirmos coisas, gestos situações que foram uma verdadeira pedra no sapato. Claro que tem coisas que não dependem única e exclusivamente da gente, mas ainda assim é possível melhorar.

Você que atua na defesa dos direitos humanos, já pensou quais os caminhos e investimentos irá fazer no ano de 2018? Bom nós da campanha Ana também estamos nesse processo de pensar e planejar nossas pequenas revoluções diárias. E queríamos aqui aproveita para compartilhar com você alguns texto e metodologias que estamos pesquisando.

Você que atua como educadora (o) seja na educação em escolas públicas e/ou particulares, ou mesmo em atividade como oficinas em diversos espaços pode ajudar a reforçar os conteúdos sobre igualdade de gênero, combate ao racismo, Direitos Humanos, Direitos sexuais, enfretamento a LGBTfobia e prevenção a violência sexual contra meninas e meninos.

Nossa listinha tem bastante coisas, mas vamos um passo de cada vez, neste post vamos compartilhar 6! Vale lembrar que cada um desse matérias são complementares e de iniciativas diversas.

Vamos a lista:

#1 A primeira é o movimento escola sem machismo impulsionado pela iniciativa O Valente não é Violento elaborou 6 planos de aulas sobre gênero e a sua relação com esporte, mídia e fim da violência, de estereótipos e desigualdades. Ai em baixo tem cada um deles separados, aproveita para baixar e fazer parte do movimento #EscolaSemMachismo Essa é uma atividade pensada pelo Organização ONu Mulheres.

1. Sexo, gênero e poder: goo.gl/ZJ1pzA

2. Violência e suas interfaces: https://goo.gl/wZLGIX

3. Estereótipos de gênero e esportes: https://goo.gl/R6AzgF

4. Estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia: https://goo.gl/7SZNyE

5. Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades: https://goo.gl/MEEOLO

6. Vulnerabilidades e prevenção: https://goo.gl/AH9JgT

#2 Também na linha das discussões de gênero e sexualidade tem as cartilhas ANA conexão e o Caderno pedagógico feito por nós. Nesse dois materiais você vai encontrar conteúdos relacionados aos Direitos sexuais da pessoa humana, direitos humanos, web ativismo e combate e prevenção a violência sexual contra crianças e adolescentes.

1. Caderno Pedagógico: Formação em Webativismo e enfrentamento às Violências Sexuais Download 

2. Cartilha: Conexão ANA Guia de Autoproteção de Crianças e Adolescentes: Download

#3 Que tal discutir as questões raciais antes de novembro? É que muitxs educadores só fazem essa discussão no mês da consciência negra. Se você não é um(a) desse(a), desconsidere a alfinetada! Então nossa terceira dica fica por conta do projeto da Unesco apresenta as mulheres africanas ou mulheres de ascendência africana. A sacada é conhecer a história do continente a partir da luta das mulheres de lá. Genial ne? Nós também achamos. A primeira historia que tivemos acesso em português e em quadrinhos (amo!) é da Rainha Njinga. Figura da resistência africana contra o colonialismo, a Rainha Njinga marcou a história de Angola do século XVII. Também tem o site que do projeto que vale dar uma navegada. Tá em inglês mas se você não domina o idioma, sem problemas, é só ir na barra de endereço no (canto superior direito) e pedir para traduzir!

1. Historia da Njinga a Mbande, Rainha do Ndongo e do Matamba: Download

2. Site do Projeto: https://en.unesco.org/womeninafrica/


#4 Essa dica vem do Programa Jovens Urbanos é o livro da sistematização da metodologias do Programa em diálogo com as políticas da Secretaria de Educação de Minas Gerais, o livro oferece algumas trilhas de saberes e práticas para a educação integral de jovens, delineando a primeira parte de um itinerário para uma escola transformadora. Tá tudinho no site. Se não tiver tempo hábil para ler todo o conteúdo do livro, no site também tem alguns fragmentos desse livro itinerário. Lá você pode acessar e baixar materiais com sugestões de atividades para o trabalho direto com os jovens de sua escola. Mas é importante ler tudo hem!

Também você vai encontrar uma série de vídeos que aborda, de maneira direta e criativa, algumas concepções e práticas de educação integral.

Site do Programa com os materiais: https://educacaoeparticipacao.org.br/tematica/itinerarios-para-juventudes-e-educacao-integral/



#5 Em Maio em virtude do Dia Nacional de enfretamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, nós da campanha ANA selecionamos uma gama de conteúdos para realizar refletir e desenvolver atividades. Seja elas com qualquer faixa etária, é preciso muito cuidado na condução.

1. Conteúdos de apoio: Download

2. Sugestões de atividades: Download


#6 Feito as várias mãos, o Caderno temático n° 3 “Direitos Sexuais São Direitos Humanos” Coletânea de Textos – Tem como autores membros das redes do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes e Rede Ecpat Brasil. É um excelente guia no debate e reflexão sobre o tema. Mais do que um registro de ideias, o Caderno se constitui em símbolo da permanente repactuação social para a garantia do direito humano de crianças e adolescentes exercerem sua sexualidade, no contexto da sua condição de pessoa em desenvolvimento.

Caderno temático n° 3 “Direitos Sexuais São Direitos Humanos Download

Curtiu  as dicas de conteúdos,  marca   ai  em baixo na postagem   o que você achou e compartilhe com  os colegas educadores!



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Como eu, minha organização ou o movimento pode contribuir com o 18 de Maio?



Para auxiliar nessa tarefa de mobilização, nós da campanha Ana junto ao Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual e a Rede Ecpat Brasil preparamos algumas dicas com sugestões de atividades relacionadas a essa importante agenda que se aproxima: O Dia 18 de Maio.
Não podemos deixar de mobilizar nossos amigos, familiares, conhecidos e os representantes do Poder Público em nossa cidade para o fato de que a VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA MENINAS E MENINOS ainda é uma realidade em nosso país. Mas antes, é bom lembrar o porquê do surgimento desse dia.
O dia 18 DE MAIO foi instituído pela Lei Federal 9.970/00, como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, a data foi escolhida, porque em 18 de maio de 1973, em Vitória–ES, um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas 8 anos de idade, que foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada por jovens de classe média alta. Esse crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune. 
Precisamos deixar claro para toda a sociedade que crianças e adolescentes tem direito a desenvolver sua sexualidade de forma segura e protegida, e que o seu corpo precisa ser respeitado. A intenção do 18 DE MAIO é destacar a data para mobilizar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta. Mas ás vezes temos dificuldades de falar desse tema, por que falar de violência sexual   é intender que esse não é um problema isolado, daí significa falar de gênero, de machismo, de identidades e tudo que envolve o desenvolvimento da nossa sexualidade. Tema que para muitos, ainda é cercado de tabus. O que não impede de podermos ter atitudes simples para ajudar na luta contra essa violação de diretos. 

Vamos a elas:

1. DENÚNCIA
Se houver suspeitas que qualquer forma de violência sexual existe caminhos que os pais, responsáveis ou as próprias crianças e adolescentes podem procurar. Por exemplo, o conselho tutelar, as delegacias, o juizado da infância e juventude ou mesmo pegar um telefone e discar o número 100, que é um disque denúncia nacional para combater qualquer violência, inclusive a sexual. É importante destacar que a ligação é gratuita e você não precisa se identificar. Outra atitude que pode ser feita é a de apoio à campanha, e também se juntar a rede de combate da violência sexual de sua cidade, como também de outras ações de defesa e garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Esta é uma atitude que qualquer pessoa, organização ou movimento pode e dever deve fazer.  Se ainda houve dúvidas que como realizar a denúncia (cliquei aqui)


2. COMO APOIAR A CAMPANHA NACIONAL?
Ao desenvolver as ações no seu município, não deixe de incluir nos materiais de comunicação e mobilização os elementos da campanha nacional do 18 de Maio. Dessa forma, seu município contribui para disseminar os símbolos e o slogan da campanha, ampliando o número de pessoas que passa a reconhecer as referências nacionais da luta pelo combate à violência sexual.

O SÍMBOLO: A campanha tem como símbolo uma flor, como uma lembrança dos desenhos da primeira infância e uma associação entre a fragilidade de uma flor e a de uma criança. Nesse sentido,
o desenho tem como objetivo proporcionar maior proximidade e identificação da sociedade com a causa do enfrentamento à violência sexual. Esse símbolo surgiu durante as mobilizações do 18 de Maio em 2009. Porém, o que era para ser apenas uma campanha se tornou o símbolo da causa, a partir de 2010. Nos últimos anos, o slogan utilizado pela campanha tem sido o Faça Bonito - Proteja nossas crianças e adolescentes. A proposta é chamar a sociedade brasileira para assumir sua responsabilidade na prevenção e no enfrentamento ao problema da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes.

No site da campanha você pode baixar as peças e artes com o símbolo da campanha, além do texto base 2017 https://www.facabonito.org.br/downloads
Já se você quer mostrar a todos os seus amigos virtuais que está apoiando a campanha você pode colocar a flor na sua foto de perfil pelo link http://bit.ly/facabonitonaminhafoto


3. SOBRE O QUE MOBILIZAR?
POLÍTICAS DE ATENDIMENTO 
Nesses 27 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, a proposta é que a principal pauta política das mobilizações do 18 de Maio sejam as políticas de atendimento às crianças e adolescentes vítimas da violência sexual. Ainda que muitos avanços possam ser registrados no âmbito das políticas sociais nos últimos anos, os serviços de atenção às vítimas no âmbito da maioria dos municípios continuam marcados por fragilidades e lacunas. Nesse sentido, as mobilizações deste ano podem refletir sobre a realidade do município por exemplo: Como anda em sua cidade o atendimento às vítimas de violência? Como são avaliados os serviços de prevenção? Os profissionais da rede têm dado conta da demanda? O atendimento a crianças, adolescentes e suas famílias tem sido realizado de forma a lhes dar condições de superar a situação de violência? Além dessas questões, o 18 de Maio pode ser ainda um boa oportunidade para que as diretrizes apontadas pelas Conferências dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizadas em anos anteriores, sejam também pautadas. Lembrando que as Conferências são instâncias de deliberação sobre as políticas municipais para a infância e, se devidamente monitoradas e cobradas, podem impactar na concretização de ações e recursos voltados aos direitos humanos de crianças e adolescentes.

DIREITOS SEXUAIS

Vale lembrar que a proposta do 18 de Maio é mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. Por isso, assim como falar sobre prevenção e enfrentamento à violência sexual, a data é também um momento de abordar o tema da garantia dos direitos sexuais, cujos princípios asseguram a toda criança e
adolescente o direito ao desenvolvimento de uma sexualidade segura e protegida, livre do abuso e da exploração sexual.

Os direitos sexuais são um conjunto de normas que dizem respeito á liberdade sexual, autonomia, integridade e segurança, privacidade, prazer, escolhas livres e responsáveis, acesso à informação e exercício das formas de expressão sexual de maneira segura e livre de coerções.

Os direitos sexuais são muito atacados, principalmente por grupos fundamentalistas que os associam á ruptura com valores tradicionais. Quando se faz referência a crianças e adolescentes como portadores desses direitos, a negação é mais intensa. Porém, precisamos compreender porque há a negação desses direitos básicos e como isso implica na ação dos agentes sociais que trabalham diretamente com crianças e adolescentes.   

Somos educados a ver crianças e adolescentes pela ótica da religião, assim, elas seriam essencialmente “puras” e livres de pecado. Também somos treinados a ver o ato sexual como pecado ou ato imoral, e, aprofundando ainda mais, a restringir a compreensão da sexualidade ao ato sexual. Nessa visão crianças são comparáveis a anjos, e anjos todos sabem, não tem sexo. Há uma negação cultural da sexualidade da infância, que rebate diretamente na forma como educamos as crianças, omitindo delas conhecimentos básicos sobre seus corpos e expressão no mundo, porém isso não faz com que esses sujeitos deixem de explorar seus corpos, e, à medida que os vivenciam, as reprimimos e assim, criamos sobre a sexualidade o peso do segredo tornando-as muito mais vulneráveis a diversas violações sexuais. Falar de direitos sexuais de crianças e adolescentes é, sobretudo, afirmar que as crianças e adolescentes são sujeitos que precisam se determinar com liberdade, livres de violências e opressões. 




Alguns desafios estão colocados para que consideremos crianças e adolescentes LGBTI no campo das políticas públicas. Partimos do pressuposto que para uma política pública ser efetiva é necessária vontade política, destinação orçamentária e capacidade técnica, e que além dessas questões objetivamente verificáveis há um contexto que influência cada uma dessas questões. 

A influência das crenças sobre o Estado impacta em diversos campos da política, desde a decisão no campo macro até o trato direto a crianças, adolescentes e suas famílias no micro. Além das leis serem influenciadas por essas forças conservadoras que se organizam sistematicamente para ocupar os espaços de poder e decisão. Os agentes do Estado que estão nos serviços também são impregnados dessas concepções e na sua grande maioria, não separam o serviço público de suas crenças
individuais.
Assim, a escola tende a reafirmar a heteronormatividade e o binarismo de gênero, a saúde tende a encontrar formas de regulamentação dos corpos e a assistência ira compreender a família a qual intervém a partir das lentes do binarismo e da heterossexualidade compulsória.
Crianças e adolescentes travestis e transexuais não têm sua identidade de gênero respeitada em nenhum dos campos da sociedade, e o resultado direto disso é muita violação de direitos, desde o direito à convivência familiar e comunitária, a educação, a saúde integral e seus direitos sexuais, uma vez que é a prostituição o único lugar onde são socialmente aceitas.
Adolescentes bissexuais, lésbicas e gays são recorrentemente objeto de violência familiar e na comunidade, de estupros corretivos e expulsão de suas casas e famílias por não se adequarem ao modelo imposto.
Crianças intersexuais são objetos de mutilação medica para adequação de sua genitália que pode interferir em sua vida sexual para sempre e quando as famílias se recusam aos procedimentos cirúrgicos, essas crianças não têm acesso ao registro civil provocando a negação de vários outros direitos.
Poderíamos citar inúmeras violências as quais as crianças e adolescentes LGBTI são submetidos em nossa sociedade. As questões já citadas, nos apontam que precisamos pensar também nessas dimensões.


 PLANO DE ENFRENTAMENTO

Outro tema relevante para a pauta das mobilizações do 18 de Maio está relacionado à implementação
do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, assim como dos planos estaduais e municipais. A efetivação do Plano Nacional terá reflexos diretos no desenvolvimento das políticas e ações municipais e, nesse sentido, torna-se uma questão central na garantia dos direitos de meninos e meninas. Da mesma forma, o processo de elaboração e implementação do Plano Municipal de Enfrentamento, a partir da coordenação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), constitui um passo fundamental para o planejamento das políticas de atendimento à infância. Portanto, mobilizar e fortalecer o diálogo entre os atores do Sistema de Garantias dos Direitos, preconizado pelo ECA, também deve ser uma pauta central nas mobilizações do 18 de Maio.

4. QUE CONTEÚDOS USAR?
Existem uma infinidade de conteúdos que nos ajudam a refletir, se informa e se inspirar  para o debate necessário sobre a violência sexual.   Você pode acessar no link abaixo algumas publicações que sugerimos.  (clique aqui)  Mas  se você vai conduzir alguma atividade, seja  ela com adultos, crianças ou adolescentes é importante  se preparar e ter cuidados  na condução. Lembre-se   Esse é um assunto muito delicado para quem foi vítima da violência sexual.  Abaixo destacamos esses cuidados:

Alguns cuidados relevantes na condução das atividades
  •   Antes de abordar o tema da violência sexual, o facilitador da atividade deve preparar o grupo com dinâmicas que falem sobre os seus direitos, situando os direitos sexuais no contexto dos direitos humanos.
  •         É importante também fazer um acordo com o grupo para que não sejam expostos casos específicos de meninos ou meninas que tenham vivido ou estejam vivendo situações de violência sexual, tanto os que estejam presentes no local ou mesmo os que sejam conhecidos da comunidade, pois isso pode acabar gerando outras situações de violência.
  •         Na condução da atividade, observe como o público reage ao assistir ao vídeo, pois pode haver no grupo pessoas que passaram ou passam por essa situação. O que recomendamos, caso haja necessidade, é que alguém do grupo se coloque disponível para uma conversa em particular.
  •         É importante também enfatizar nas atividades que as pessoas que passam ou passaram por essa situação de violência podem e devem reconstruir sua história e projeto de vida – se necessário, com a ajuda de profissionais.
  •         O facilitador deve ter segurança em trabalhar com os temas da violência sexual e conhecer minimamente os fluxos de atendimento às vítimas de violência ou saber indicar os caminhos para que as pessoas busquem essa informação.
  •         É legal que o facilitador introduza a oficina dizendo que existem diferentes fases no desenvolvimento da sexualidade e que esse é um processo natural. O que não é legal é que crianças e adolescentes não possam viver essas fases de forma saudável e segura, em função de situações que se caracterizem como violência sexual.
  •         E, por fim, é interessante que o facilitador reforce nas oficinas, a partir do material exibido, a informação sobre como crianças e adolescentes podem se prevenir da violência sexual e também denunciá-la.
Bem se você chegou até aqui é porque tem grande interesse em contribuir com a causa.   E nós achamos ótimo!  Pois o nosso trabalho é feito de formiguinhas uns ajudando aos outros e espalhando a importância da proteção de meninas e meninos.
Por isso para você ou sua instituição fazer bonito, e também para que esse post não fique tão longo, abaixo terá vários links com outras informações.  Ah não se esqueça de compartilhar suas atividades e mobilizações em alusão ao 18 de Maio.  Se puder nos marcar nas redes sociais vamos compartilhar com todos as informações que chegar. 

Conteúdos de apoio: Download 

Sugestões de atividades: Download 

Filmes curtos:  Download 

Filmes longos: Download 

Flor para colorir:  Download 



sexta-feira, 3 de março de 2017

Crianças trans não estão fingindo. Elas existem

Desenho feito por uma menina de 8 anos, de Aragón,
que mostra seu conflito antes que sua família
aceitasse sua identidade feminina
 Foto: Cortesia Associação Chrysalis
Postedo  Clipping LGBT

Em entrevista a Oprah Winfrey em 2008, Brad Pitt disse que Shiloh, a primeira de seus três filhos biológicos com Angelina Jolie, só queria ser chamada de John. “John ou Peter. Eu digo: ‘Shi, você quer suco?’ E ela: ‘John. Eu sou John’.” Shiloh tinha então 2 anos. Em 2010, falando à Vanity Fair, Angelina contou que a filha, àquela altura com 4 anos, gostava de se vestir como menino e queria ser um menino.

Em 2014, Shiloh, hoje prestes a completar 10 anos, apresentou-se de terno e gravata à cerimônia de estreia de um filme dirigido pela mãe. Brad Pitt e Angelina Jolie estão certos em apoiar o comportamento da filha? Deveriam desestimulá-lo? O que eles fazem ou deixam de fazer afetará o futuro de Shiloh? Há pouquíssima informação científica para orientar pais em situação como a do casal de atores.

Mas um raro estudo com crianças transgênero, publicado no ano passado no jornal Psychological Science, pode ajudar a jogar luz sobre a questão. O trabalho foi liderado pela psicóloga Kristina Olson, da Universidade de Washington. Nele, 32 crianças transgênero, com idade entre 5 e 12 anos, foram submetidas a exames como Teste de Associação Implícita para medir a velocidade com que associavam aspectos de gênero masculino e feminino à própria identidade.

Os autores concluíram que as crianças trans mostraram uma identificação tão automática com o gênero que escolheram quanto as crianças cisgênero (que, ao contrário das trans, identificam-se com seu sexo de nascimento). A conclusão de Kristina: “Embora sejam necessários mais estudos, nossos resultados mostram que as crianças trans não são confusas, rebeldes nem estão simplesmente fingindo ser o que não são. Crianças trans existem, e a identidade que cultivam está bastante arraigada nelas”.



Veja  os videos: 

Crianças trans precisam ser ouvidas

Trans(verso) 
  

O curta Trans(verso) mostra o dia a dia de quatro homens TRANS em seus processos de adaptação com seus medos e desejos. Foi produzido para disciplina de Pesquisa Extensão e Prática Pedagogia do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Espírito Santo sob a orientação do professor Vitor Gomes




Veja também:

Crianças transexuais: 10 histórias que vão emocionar você





sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Entrevista: Maria, Maria é um dom, uma força que nos alerta!

Nesse início do ano, inauguramos um novo espaço de informação no boletim e no blog da da Campanha Ana. Agora todo mês iremos conversar com  pessoas  que irão nos ajudar a refletir sobre  a luta, defesa e desafios na conquista  e efetivação dos Direitos Humano.  

E para começar com chave de ouro, conversamos com Maria Clara de Sena: Mulher trans, negra de cabelo afro, pernambucana, com seus 1,92 de altura e no auge dos seu 37 anos de vida. Ela que ao longo de sua trajetória de luta pelos direitos humanos e do grupo LGBT, se deparou, com situações que mexiam diretamente com sua condição enquanto mulher trans. Tem hoje, sua rotina dividida entre reuniões e visitas a unidades prisionais de Pernambuco, a fim de combater maus-tratos e torturas a qualquer pessoa que esteja em situação de privação de liberdade.  Se tornou  a primeira transexual do mundo a assumir um cargo em um Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura, órgão que atua em parceria com a ONU. Confirma no link abaixo nossa conversa com ela que luta e resisti cotidianamente para que pessoas LGBTs em privação ou  restrição de liberdade tenham sua dignidade garantida. Acesse a Entrevista
Veja também nosso Boletim 

O dia nacional da visibilidade trans, foi escolhido porque nessa data no de 2004, pela primeira vez na história do nosso país, travestis e transexuais estiveram no Congresso Nacional para que falassem aos parlamentares brasileiros sobre a realidade dessa população que até o momento só era vista como prostituição e pessoas anormais.
Um Salve a todas as #pessoas_Trans

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Redes nacionais se encontram em Brasília para discutir Direitos Sexuais LGBTI e a conjuntura Nacional.

Encontro formativo vai promover debate com as redes nacionais sobre os direitos sexuais LGBTI de crianças e adolescentes brasileiras, e a situação dos direitos humanos de meninas e meninos no Congresso Nacional. O encontro faz parte do Projeto Aliança nacional de Adolescentes – Campanha ANA- que terá sua nova fase lançada no evento



Cerca de 70 organizações sociais que atuam na defesa e promoção de direitos de crianças e adolescentes, estarão reunidas em Brasília, para refletir sobre os direitos sexuais de meninas e meninos LGBTI e o enfrentamento das diferentes formas de violência praticadas contra eles, em especial as violências sexuais. O encontro acontece do dia 28 ao dia 30 de Novembro de 2016 no Centro de Convenções Israel Pinheiro – QL 32 do Lago Sul St. Hermida Dom Bosco QL 32, Bloco A - Lago Sul, Brasília – DF - E é destinado a representantes das Redes Nacionais de Defesa dos Direitos de crianças e adolescentes, da sociedade civil organizada, que lidam com o enfrentamento a violência sexual e outras violações ao público de infanto-juvenis previamente convidadas.

O encontro formativo mobilizado pela Associação Barraca da Amizade, ECPAT Brasil e Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra crianças e Adolescentes através da Campanha ANA (Aliança Nacional de Adolescentes), com cofinanciamento da União Europeia, tem o objetivo de fortalecer os espaços das organizações sociais na discussão, incidência e deliberação das políticas públicas dos direitos de crianças e adolescentes, assim como analisar, mapear, tirar encaminhamentos de ações, diretrizes e estratégias para o fortalecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) nos estados frente à situação atual da infância e adolescência.

“Com esse encontro pretendemos discutir o cenário político atual e suas implicações para as políticas de direitos humanos, com enfase nos direitos sexuais de crianças e adolescentes LGBTI, e esperamos qualificar as redes nacionais e tirar estratégias conjuntas de incidência da sociedade civil organizada para frear essas sucessivas tentativas de retrocessos”. Enfatiza a Coordenadora do projeto e Membro colegiada do ECPAT Brasil Lídia Rodrigues.

Na programação do Encontro está previsto cinco mesas de reflexão com especialistas que abordarão temas como: Direitos Humanos e Infância e Adolescência no Congresso Nacional, Sexualidade, Diversidade, Direitos Sexuais, Infância e Adolescência, LGBTfobia, Violência Sexual e Políticas Públicas. E grupos de trabalhos para pactuar estratégias de fortalecimento dos direitos humanos de meninas e meninos no atual contexto do país. A primeira mesa da formação, será aberta para o público em geral, com o tema: Política de Direitos Humanos: desafios para a incidência da sociedade civil frente às reformas em curso, marca a agenda dos 16 dias de ativismo pelos direitos humanos, mobilização em alusão ao dia Internacional dos Direitos Humanos: dia 10 de dezembro

Na oportunidade será lançado o projeto cofinanciado pela União Europeia que inaugura um novo ciclo da Campanha ANA – Aliança Nacional de Adolescentes: Por direitos sexuais LGBTI - que tem por objeto fortalecer a capacidade de incidência na defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes LGBTI em redes e enfrentando a violência sexual contra crianças e adolescentes. Tudo isso com o intuito de fortalecer as identidades e combater a homofobia, lesbofobia e transfobia, que muitas vezes crianças e adolescentes ainda sofrem, nos espaços institucionais.

Veja abaixo a programação do encontro e acompanhe as discussões na nossa pagina do facebook.


PROGRAMAÇÃO FORMAÇÃO SOBRE DIREITOS SEXUAIS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES LGBTI E ENCONTRO DAS REDES NACIONAIS


                                                                    1ª DIA 28/11 

15h – Abertura: Mesa de Boas Vindas (representantes das Redes Nacionais) e Lançamento do Projeto Aliança Nacional de Adolescentes pelos Direitos LGBTI

16h - Mesa: Análise de conjuntura do Cenário da Infância e Adolescência no Congresso Nacional

Inesc - Cleo

Mediação: Gabinete do Jean Willis

17h30 - Intervalo

18h – Mesa: Política de Direitos Humanos - Análise de conjuntura – desafios para a incidência da sociedade civil frente às reformas em curso

Renato Roseno – Deputado Estadual PSol CE e Militante dos Direitos Humanos

Mediação: Vinicius Miguel – Anced

20h - Assinatura de termo de cooperação (projeto ECPAT, Plan Brasil e CEDECA) e encerramento do primeiro dia.



2ª DIA 29/11



8h30 - Trabalho em Grupos

Levantar estratégias para incidência das redes da sociedade civil no atual contexto

11h às 11h30 - Socialização dos grupos e panorama sintético dos trabalhos para que possamos tirar os encaminhamentos e pactuações

Mediação: Bel

12h30 - Intervalo para Almoço

14h - Mesa: Sexualidade, Diversidade, Direitos Sexuais, Infância e Adolescência CFEMEA

Cores - Carol Arcari

Fórum Peti – Dr Eduardo Varandas

Coturno de Vênus

Mediação: Irina Baci

3º DIA - 30/11

08h30 - Mesa: LGBTfobia, Violência Sexual e Políticas Públicas 
Saúde – Katia Souto
Educação – Comissão de Educação da ABGLT
Proteção Especial – Acolhimento e Adolescentes Privados de Liberdade – Fabio Felix
Mediação: Estela Escandola

11h – Trabalho em Grupos – Quais os maiores desafios quanto ao debate e propostas de incidência nas políticas sobre o tema dos direitos sexuais LGBTI?

12h30 - Intervalo para almoço

14h – Apresentação dos Grupos e pactuação de estratégias de encaminhamentos

15h – Avaliação e Encerramento

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Juventude e sexualidade: papo reto e necessário


Texto de contribuição  ao boletim virtual n° 51 da Campanha ANA  - Por Fernanda Godinho com colaboração de Bárbara Pansardi e Viviane Coelho. Integrantes do Fórum das Juventudes da Grande BH

A juventude, fase da vida que compreende dos 15 aos 29 anos, é marcada por transformações de diversas ordens: mudanças no corpo, maior independência da família, construção da autonomia, ingresso no mercado de trabalho… Trata-se de um período de desenvolvimento (pessoal e social) e constituição da nossa identidade. Por isso mesmo, jovens demandam particular atenção ao conjunto integrado de suas necessidades físicas, emocionais, psicológicas, cognitivas e sociais.

O reconhecimento da juventude como este momento da vida com singularidades e demandas específicas contribuiu para que, em 2013, fosse aprovada uma legislação que versa sobre os direitos das/os jovens, apontando também diretrizes para as políticas públicas voltadas para essa população: o Estatuto da Juventude. Entre os temas abordados pela lei, está o direito à diversidade e à igualdade, compreendendo nesse âmbito questões como gênero e orientação sexual.

A sexualidade, cujo florescimento se dá na adolescência, é um campo que merece especial cuidado e atenção entre nossas/os jovens. A despeito da importância do corpo e seus afetos como aspectos relevantes e constituintes do mundo juvenil, o assunto ainda é encarado como tabu. De um modo geral, traveste-se a discussão de um viés pretensamente científico que aborda, quase que exclusivamente, a anatomia dos órgãos reprodutores e as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). No campo da diversidade sexual, quando muito, limita-se a um discurso de respeito e tolerância (genérico e aplicável a qualquer situação de violação ou preconceito) — o que é absolutamente insuficiente. Faltam dispositivos efetivos de problematização e de proteção. A não discussão desses temas, seja no contexto da escola, da família, da saúde, dentre outros espaços de socialização das juventudes, perpetua a naturalização de piadas, brincadeiras e humilhações deflagradas contra a população LGBTIQ, que se dão tanto de forma expressamente homofóbica quanto através de manifestações mais sutis.

Vejamos um exemplo. Eu nunca fui um padrão de feminilidade. Desde cedo já não me sentia confortável com cores, roupas, comportamentos e brincadeiras que as pessoas entendem como femininas. Eu reclamava de ter que usar saias, vestidos e laços cor de rosa; gostava mesmo dos moletons, bermudas e tênis, que me faziam sentir mais à vontade. Uma das coisas que mais me incomodava era ter que usar a parte de cima do biquíni quando ia para os clubes ou praias. Não conseguia entender o porquê de ter que usar aquele sutiã que apertava e coçava tanto, sendo que nem seios eu tinha. O que eu estava escondendo? Resisti até os 7 anos, quando vieram os risos dos outros, as chacotas e os questionamentos sobre eu querer ser um menino. Nesse momento, passei a usar a
parte de cima do biquíni e ainda aderi ao batom – roubado de minha mãe – para reafirmar que eu era garota. Naquela idade, obviamente, eu não tinha consciência sobre sexualidade ou orientação sexual, mas eu já sentia nos olhares dos outros, principalmente dos mais próximos, que a expressão do meu corpo era equivocada e que eu frustrava a expectativa das pessoas que estavam ao meu redor.

Obviamente, isso também se manifestou no ambiente escolar. Os momentos de maior sofrimento vinham, contraditoriamente, na aula que eu mais gostava: Educação Física. Eu adorava esporte e tinha uma habilidade muito grande com vôlei, futebol, handebol e basquete, mas na minha escola as meninas faziam Educação Física separadas dos meninos e basicamente eram aulas de dança — nas quais eu era um desastre. Depois de muita briga, minha mãe conseguiu garantir minha participação nas modalidades esportivas e campeonatos escolares. Como eu tinha boas habilidades, era muito solicitada e ovacionada por minhas/meus colegas de turma nesses momentos, mas logo que as competições passavam eu novamente me tornava a “mulher macho”, “maria sapatão”, “paraíba masculina” da escola. Era confrontada sobre minha sexualidade e identidade de gênero todo o tempo.

Nunca me senti acolhida no ambiente escolar. A escola nunca problematizou o que acontecia comigo e com outras/os várias/os colegas que também eram como eu. Com isso, muito da violência sexista e heteronormativa foi internalizada e eu não me permiti sequer entender o que os meus desejos por outras mulheres significavam. Apenas aos 22 anos, já na graduação, me reconheci como lésbica. Esse entendimento — de me reconhecer lésbica e feminista — ainda está em construção, numa busca constante por informação e espaços de discussão, que, aos poucos, vencem a violência dessa cultura na qual estamos todas/os imersas/os.

Assim como eu, milhões jovens passam por conflitos e sofrimentos parecidos – e possivelmente de uma forma mais intensa e violenta — em nome de uma conduta que corresponde à expectativa social de feminilidade e masculinidade. É urgente que sejamos capazes de escutar e dialogar com as crianças, adolescentes e jovens sobre sua sexualidade, seja na família, na escola ou em outros espaços comunitários, tornando-os ambientes democráticos e dialógicos, nos quais as diferenças entre as pessoas não se desdobrem em desigualdades, hierarquias e marginalizações. O direito à diversidade é imprescindível para garantir o desenvolvimento integral das/os jovens e a construção das identidades de maneira saudável e respeitosa.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Professor dá close certo ao ser questionado por aluna se é gay

Há duas semanas, Vitor Fernandes um professor do rio de Janeiro deu close certo ao ser questionado por uma aluna se ele é gay. 
Ele poderia só encerra o assunto dizendo sim ou não. Mas educador de responsa aproveita essas deixas para fazer reflexão. Aí começou um poderoso debate sobre estereótipos associados ao que é “ser homem heterossexual”.
A história foi contada pelo próprio professor no Facebook e rapidamente se espalhou. Milhares de pessoas reagiram e repensaram questões como homofobia e machismo. Confira baixo o relato: 



"Professor, o senhor é gay?
Já ouvi essa frase algumas vezes. Uma vez por ano ao menos algum aluno pergunta. Na verdade, geralmente alunas. Como já ouvi várias vezes e sempre me intriguei com o porquê da pergunta e hoje, a pergunta veio de uma aluna de uma turma de 1º ano no meu CIEP, em Inhoaíba, resolvi usar Paulo Freire e partir do concreto para o abstrato. Parei a aula e mudei o tema para “gênero e sexualidade” (estudávamos antropologia, então é pertinente). Usei a pergunta da aluna e a mim mesmo como exemplo.
Perguntei a ela o que a levou a fazer a pergunta. Qual era o motivo da suspeição da minha homossexualidade? A aluna não quis responder, com medo de uma reação negativa ou até agressiva minha, como é bastante comum na sociedade. Insisti e ela começou a falar. Daí todos os alunos se interessaram muito e começaram a falar também os motivos de suas suspeitas.
Resolvi, para ser didático, anotar no quadro os motivos para debater um a um.
Os motivos, que para eles são características da homossexualidade que eu tenho, foram os seguintes:
– Uma aluna me deu mole e eu não “peguei”.
– Coloco às vezes a mão na cintura
– Gestos e fala característico de homossexual (segundo dois garotos apenas)
– Não fala de relacionamentos, namorada, nem da vida pessoal, o que fez no fim de semana, etc. E outros profs falam…
– Sou professor novo, moderno, simpático. Isso n é característica masculina.
– Tem outros alunos comentam que eu sou gay
– Sou vaidoso, me cuido esteticamente.
– Quando os alunos me perguntaram se eu era gay, não neguei agressivamente, mas debati o assunto. Só no final disse que não era. Não provei que era hétero mostrando fotos minha com alguma namorada, etc
– Não sou machista
– Tenho 30 anos, não casei e não tenho filhos. Todos as pessoas e trinta anos que eles conhecem já casaram e tiveram filhos. Só gays chegam aos 30 sem casar.
– Tenho amigos gays.
Sim, a lista foi longa (rs) e os instiguei a falar tudo.
Não é difícil deduzir que os pressupostos (anotados no quadro tb) dessas falas são:
– Homem que é homem, pega aluna, não rejeita mulher.
– Homem que é homem não coloca a mão na cintura.
– Homem que é homem fala das mulheres que “pega”, “prova” que é homem através de fotos com mulheres.
– Professor hétero não é simpático. Simpatia não é característica masculina.
– Homem que é homem não é vaidoso.
– Homem que é homem nega com veemência a homossexualidade, como se fosse um crime. E é obvio que homem de verdade não debate esses assuntos, muito menos usando a si mesmo como exemplo.
– Homem que é homem é machista.
Obs.: como eu queria as feministas “linha dura” que me acham O escroto machista lá naquela sala pra debater isso com eles. rsrs
– Homem de verdade casa antes dos 30 e tem filhos antes disso.

Talvez vc se pergunte o porque eu não neguei com veemência e encerrei o assunto? Porque debati algo pessoal com adolescentes de 15 anos em média?
Primeiro: qual o problema em ser gay? Porque negar isso com veemência? É crime? Imoral? Não. Ser gay ou hétero para mim é como ser flamenguista ou botafoguense. Não tem nada de bom ou ruim em nenhum dos dois.
Segundo: Acho que foi a melhor das oportunidades de debater um assunto tão delicado e proporcionar o acesso à uma outra visão de mundo aos alunos.
Não. Não sou gay rs e fiquei impressionado com a visão estreita de gênero e sexualidade de adolescentes me pleno 2016, tão limitada e machista. E fiquei imaginando a feroz repressão que os homossexuais sofrem no dia-a-dia.
Por outro lado é compreensível os alunos terem essas concepções na cultura onde estão inseridos.
Como assim vc tem 30 anos e não casou se as meninas têm filhos aos 15 às vezes? rs
Como assim vc não pega aluna que te dá mole? Só pode ser viado rs
Eu resolveria facilmente o “problema” mostrando foto com alguma mulher com que fiquei, mas porque eu me preocuparia em provar a heterossexualidade como quem prova a inocência. Porque usaria uma mulher como prova de algo?
Pode parecer engraçado para muita gente ler isso e pra mim foi. Muito. rs Mas para eles não. É o que pensam mesmo. Parece anos 1940, mas é 2016…
Imaginem se o projeto “escola sem partido” continua avançando como está. Voltaremos às trevas em pouco tempo. Precisamos debater gênero e sexualidade nas escolas, mais do que nunca!
O machismo é opressor com os homens também, se liguem nisso!
Obs.: Hoje fui trabalhar com uma camisa rosa. Aí ferrou… rs" Vitor Fernandes










domingo, 17 de maio de 2015

Direto sexuais e reprodutivos, o que a violência sexual tem haver com isso?


É super importante o acesso à informação que garanta um desenvolvimento pleno e saudável, sem medo, vergonha, culpa, falsas crenças e outros impedimentos à livre expressão dos desejos.Você sabia que sexualidade tem a ver com direitos? Nosso corpo e nossa mente têm desejos e vontades em relação a nós mesmos e aos outros. Às vezes fica parecendo que sexualidade é só transar
ou prevenir a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis. Na verdade, sexualidade é algo bem maior, faz parte da nossa vida, tem a ver com o nosso comportamento, nossas emoções, nossos desejos, nossos sentimentos, nossos prazeres e nossas relações pessoais e sociais.

Precisamos superar mitos e tabus para falar de sexualidade na adolescência. Às vezes a gente não encontra alguém disposto a falar das mudanças pelas quais passamos nessa idade. Às vezes a gente mesmo tem vergonha de falar sobre isso. Mas não é porque o assunto é difícil que vamos deixá-lo de lado!

É também a partir do acesso a essa informação e que também aprendemos a dizer não as varias formas da violação desse diretos . E ele começa desde de quando nascemos até a nossa morte.

Siiiiiiiiiim a Sexualidade nos acompanha por toda a nossa vida. E em cada fase teremos necessidade de algumas informações necessárias para viver de forma cada vez mais saudável e de boa os nosso direitos sexuais. Por isso reafirmar que temos Direto sexuais e que eles também são direitos humanos é preciso sempre. Pois quanto mais as pessoas e agente mesmo entende e exerce esse direitos mais teremos forma de prevenir a violência sexual. E como já falamos varias vezes que essa violência sexual não é só o ato do sexo sem o consentimento , mas ela pode acontecer de varias formas.

Educar para a sexualidade é educar para a vida; ou seja, do mesmo modo como estudamos e aprendemos uma profissão, devemos aprender a viver nossa sexualidade. É necessário um diálogo sincero sobre esse assunto, transparente, livre de preconceitos e de estigmas. Esse papel deve ser cumprido pelos pais, pela escola e também pelos órgãos públicos de saúde.

Além disso, na adolescência há também mudanças na mente e no coração. Os sentimentos ficam confusos. Um dia a gente está sentindo uma alegria enorme. No outro, o ânimo está pra baixo, a gente anda dando chute nas pedras. É quando as paixões acontecem, as inseguranças, os desejos, as frustrações e sonhos.

Neste 18 de maio preparamos um vídeo que fala dos 12 Diretos sexuais que todxs nós temos, é só tacar o Play assistir deixar seu comentário e compartilhar com os ZamigXs

Pois é nessas informações que apostamos para agente se auto proteger e também que esta mais próximo.Veja no face também as imagens que preparamos com cada um desse Diretos (Album)
E claro faça bonito , Proteja  nossas crianças e adolescentes. 


quarta-feira, 16 de julho de 2014

A mulher negra, que resiste e luta.



Enegrecendo o feminismo:

Nosso feminismo busca evidenciar as distinções entre os gêneros, pois não existe uma única categoria “mulher”. A negação de nossas diferenças mantém as opressões das quais somos as principais vítimas. Nós mulheres negras ainda somos relegadas à posição de subalternidade. Mesmo possuindo uma antiga história de lutas contra opressões e violências, frutos não só do machismo, mas também do racismo, praticado inclusive pelas mulheres brancas, as mulheres negras ainda não conseguem que suas pautas sejam problematizadas enquanto pautas do movimento feminista.

Diante disso, ressaltamos a importância da implementação do dia 25 de julho como o dia da mulher negra latino americana e afro-caribenha e dia da mulher negra Teresa de Benguela. Acreditamos que essa data seja importante para o resgate da identidade e empoderamento da mulher negra, para incidir e fomentar as politicas públicas que possam promover as mulheres negras o acesso a cidadania.

No que concerne às questões envolvidas na noção de direitos sexuais e reprodutivos, por exemplo, apontamos que, para além das especificidades da reivindicação do direito ao aborto gratuito, legal e seguro. Pensar no direito a maternidade das mulheres negras implica também, o direito de não ser submetida às políticas públicas de controle de natalidade de viés eugenista. E, ainda, há outro aspecto, quando optam pela maternidade, o fazem sob a ameaça de verem seus filhos assassinados pela fome, pelo atendimento precário a saúde da criança e pelas políticas governamentais de segurança pública que apresentam como um de seus resultados mais perversos, o genocídio da população jovem negra.
Por fim, compreendemos a necessidade do dia 25 de julho como um dia histórico da luta da mulher negra, que resiste e luta.

Salve Teresa de Benguela e todas as guerreiras negras!





Bloco das Pretas: resgate da identidade da Mulher Negra.

O Bloco das Pretas é uma frente feminista do CEN (Coletivo de Estudantes Negros) e, se originou em 2013, em Belo Horizonte, Minas Gerais, diante a necessidade de se ter um espaço exclusivo e de empoderamento das mulheres negras que o compunham, pois mesmo em um espaço de militância negra, o machismo ainda permeia nossas relações. Não foi pensado, contudo, como um espaço de dissociação dos homens negros, pelo contrário, acreditamos que estamos em conjunto com os companheiros negros em um processo continuo de desconstrução do machismo. O Bloco foi uma resposta à percepção de que nossa luta política se constrói na compreensão da interseccionalidade de gênero, raça e classe. Constituímo-nos enquanto mulheres periféricas, que lutam por sua sobrevivência e de sua comunidade e nos colocamos contra o encarceramento e o extermínio da juventude negra. Acreditamos e valorizamos na multiplicidade, enquanto mulheres, héteros, lésbicas, bissexuais, em maioria negras e pobres. Por meio de nossas vozes, denunciamos o racismo, o machismo e as diversas opressões de gênero, de cunho religioso e cultural.

Nosso intuito é de compor uma luta completa pela descolonização do pensamento do feminismo burguês, do conhecimento, do discurso, via o empoderamento das mulheres negras. Acreditamos que a valorização de nossas matrizes afro-brasileiras são as ferramentas necessárias para refletirmos acerca das dominações as quais nós, negras, estamos submetidas. Nos colocamos no papel de denuncia contra o racismo institucional, e usamos a organização coletiva como estratégia de enfretamento contra as estruturas que nos esmagariam se nos colocássemos diante delas como personagens isoladas. Afirmamos o valor de nossa cultura, de nossos saberes, e, quando fazemos isso, buscamos resgatar, demarcar e dar visibilidade a significativa participação das mulheres negras na história de nosso povo, como forma de resistência ao domínio patriarcal. Estamos relendo e reescrevendo a história reivindicando o devido lugar daquelas que são sempre esquecidas na construção e rememoração dos ícones. Buscamos dar visibilidade à mulher negra, como sujeitos de valor nos espaços da arte e da cultura, da produção de saber, da luta política, e expressão de beleza.



Saiba Mais:


terça-feira, 5 de novembro de 2013

A primeira vez agente nunca esquece.



Gente, como vocês sabem, já entrei na me fase da adolescência.  E não é que estou gostando, apesar de ser tudo muito novo para mim. Até já ganhei a minha primeira espinha. Mas quero compartilhar como vocês outra experiência. Na semana passada fui à ginecologista. Minhas amigas até acharam estranho eu ir, mas percebi que já era a hora. E como sei que não é um momento fácil na vida de muitas meninas resolvi escreve sobre essa experiência.
Era manhã e estava muito quente. E eu já lá na fila esperando para me consultar pela primeira vez com a ginecologista, e ela já de começou me perguntando o porquê da minha ida lá.  Fiquei sem jeito, mas, como estava lá respirei fundo e respondi. “Bom, vim por que tenho notado mudanças no meu corpo e queria ver com que sinais devo me preocupar já que as mudanças vão acontecer de qualquer forma, eu preciso saber para que não ficasse assustada com elas”. Respirei aliviada. Então ela me disse que eu a procurei no momento certo, pois nessa fase da vida rolam muitas duvidas tanto nas meninas quanto nos meninos (mas no caso dos meninos é outro especialista o urologista) e que poderia ficar tranquila pois estava no caminho certo. Então ela me fez outras perguntas como se já tive a minha primeira menstruação (menarca) se já havia iniciado a minha vida sexual, se eu percebia algum corrimento ou cheiro forte vindo das minhas partes intimas ou se notava alguma alteração nos meus seios. Ufa!!! Tantas perguntas né? Mas fui respondendo na medida em que ela perguntava, tentando não deixar vir uma vergonha que não tinha o menor sentido. Às vezes se fica assim meio sem jeito, mas ela também foi muito legal e conseguiu me deixar a vontade para prosseguirmos na consulta. Como respondi não para a maioria das perguntas, ela disse que a consulta iria ficar naquela conversa que não havia necessidade de um exame de toque. A não ser nos meus seios. Fiquei chocada. Achei que iria ficar nua, que ela fosse colocar algum aparelho em mim. Mas nada disso aconteceu, só mesmo me ensinou a fazer o auto exame das mamas e disse alguns cuidados que eu deveria adotar, tipo: Quando decidisse iniciar minha vida sexual que nunca esquecesse de usar preservativo, e que quando essa decisão fosse tomada que eu deveria  procurá-la. Outra coisa muito importante que ela me entregou foi uma caderneta da saúde do adolescente. Nessa caderneta tem muitas informações que me ajudaria a

acompanhar as mudanças de todo o meu corpo inclusive as mudanças mais íntimas. Tem tanto para as meninas (CLIQUE AQUI PARA CONHECER)  quanto para os meninos (CLIQUE AQUI PARACONHECER) )
 Bem essa experiência eu não vou esquecer tão cedo, até por que foi uma experiência legal.  Também por que para muitas meninas, inclusive para as minhas amigas essa ida a ginecologista não é tão tranquila assim. Aí que entendi que isso faz parte do nosso direito  a saúde e também dos nosso direitos sexuais, que não são poucos( vou colocar alguns aí  embaixo para você terem uma ideia). Outro direito é que esse profissional deve guarda sigilo  do que foi conversado na consulta e que a parti desta conversa eu vou poder ter acesso aos métodos para evitar a gravidez não planejada e também as doenças sexualmente transmissíveis – DST`S- . Esse papo das DST’S agente conversa mais para frente. Só sei que fiquei muito feliz com essas descobertas e que  valeu muito a pensa ter agendando essa consulta.
Ah pessoal, não se esqueça de comentar e também de compartilhar com seu amig@s.
 Beijos até mais!

  











 Veja aqui mais sobre quais são esse direitos>>>> (clique)


Para saber mais:

Declaração dos Direitos Sexuais
http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/gays/direitossexuais.html

Negligenciados e Desinformados?
http://www.iwhc.org/index.php?option=com_content&task=view&id=3118&Itemid=344



Projeto Co-Financiado União Europeia

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