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quarta-feira, 29 de março de 2017

Entrevista: Lute como uma Mulher

Nesse mês de março a Campanha ANA entrevistou a Viviana Santiago, que se coloca no mundo
enquanto negra, mulher, nordestina, professora e mãe. Mãe solteira de um menino negro, sobrevivente, numa sociedade racista, machista e capitalista, sobrevive a todas as violações de direitos e luta pela construção de um mundo melhor e justo para todas as pessoas. Ela é ativista do movimento negro e do movimento de mulheres, em Pernambuco. É pedagoga e atua há mais de dez anos no Terceiro Setor com organizações internacionais. Atualmente é Gerente Técnica de Gênero na Plan International Brazil.
 Ela nos  conta a dimensão das varias vertentes da luta femininas e  de que forma podemos  juntos  lutar por uma sociedade igualitária e livre. 
acesse aqui a entrevista  e não  se esqueça de comentar,  ou marcar  abaixo  sua reação ao texto.  

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Que princesa que nada, Eu sou é de luta mesmo!

Ai gente, tô precisando tanto desabafar. Tá rolando um troço meio chato lá em casa. Tô prestes a fazer 15 anos e minha família cismou que fazer aquelas festas de debutantes, com bolo gigante, 14 meninas acompanhando tudo de rosa, convidar 15 meninos também pra acompanhar as meninas e inclusive me acompanhar, puxar fitinha, dançar valsa... Ai que agonia, só de pensar já vai me dando abuso.
Poxa, eu não quero isso, primeiro porque nem grana a gente tem para inventar essas coisas, segundo eu não gosto disso, num tem nada a vê comigo, quero sim comemorar meu niver, porém do meu jeito, com minha galera da escola, alguns da vizinhança que curto e família, mas do meu jeito.

Até porque, como sou bem curiosa, eu andei pesquisando net de onde surgiu essa ideia de festa de debutante e pasmem vocês isso é a maior roubada, história completamente fundada no machismo escroto onde as famílias realizavam rituais na puberdade para dizer para sociedade que as meninas deixavam de ser meninas e passavam a ser mulher, pronta para o casamento e reprodução. Tinha até uma escola para as meninas que completavam 15 anos aprender tradições familiares de como cuidar de casa, filhos e ser uma boa esposa.

Agora tudo isso aconteceu na cultura pré-colombiana Asteca e Maias e o povo ainda mantém e muita gente sem nem saber a origem. Maior palhaçada isso. Se eu já num queria depois de lê sobre isso agora é que eu não quero mesmo.

E daí fiquei pensando na tal de escola de Princesa que tá rolando em alguns lugares do país: Meninas com uniformes cor-de-rosa e laço na cabeça se reúnem em volta de uma mesa e tomam um chá, enquanto aprendem todas as regras de etiqueta, incluindo a maneira correta de pegar a xícara e posicionar os braços. O ambiente, chamado de castelo, com a decoração predominantemente em tons de rosa, combinando com
o uniforme, tem rococós e fru-frus. Parece uma cena de um desenho animado (antigo) sobre princesas, mas é atual e acontece aqui mesmo, no Brasil. E isso mostra mais uma vez que homens e mulheres devem ser tratados de forma diferente e que os direitos e deveres não são igualitários! É um total retrocesso. Que princesa que nada, eu só é de luta mesmo.

Eu até imprimir esses dois artigos pra quando mainha chegar do trabalho eu lê pra ela. Quem sabe depois de saber a verdade sobre essa palhaçada ela num pensa melhor e desencana dessa ideia. Vou pedir pra ela comprar uns livros pra mim e algumas roupas com essa grana que ela tava afim de gastar com festa. Até porque, mesmo ela comprando isso pra mim num chega aos pés do gasto que ela teria se fosse fazer festa, ainda mais pra depois todo mundo sair falando. Aff! Mas vamos pensando, ainda falta um tempinho pra chegar o dia, daqui pra lá eu vejo como vou comemorar.

E você já comemorou seus 15 anos? Conta aí o que acha disso.

Veja também: 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Volta às aulas!




Enfim as aulas voltaram! Eu já não aguentava mais esperar, afinal, férias são boas mas confesso que fico morrendo de saudades da galera, da escola, e até das aulas, que podem até às vezes parecer chatas, mais deixam saudade!

Me encantam os rituais de inicio: conhecer os novos professores, saber quem vai estudar na mesma sala, como vão ser os horários e os conteúdos. Acho massa essa coisa toda. Tem ainda o papo entre os amigos do que fizemos nas férias. Mas, as vezes, é meio constrangedor né? Sempre tem a galera que viaja e conhece altos lugares, mas tem também a galera que não viaja e que fica em casa porque não teve grana pra passear. Eu mesmo não pude viajar dessa vez, a grana lá em casa tava curta. Mesmo assim me diverti a beça, até contei na outra historia.

Agora, sabe uma coisa que me dá a maior adrenalina na ida e na volta para escola? É o busão! Acho muito massa ir, todos os dias, para escola de ônibus. Algumas coisas são bem tensas como ter que enfrentar os ônibus cheios, passar mais de meia hora no ponto esperando e ainda ter que enfrentar o maior transito, mas isso tem a ver com as políticas de mobilidade urbana né mesmo? Vi que agora no começo do ano teve uma galera que se organizou para reivindicar mais qualidade no transporte público e passe livre pra estudante. Punk é que tem Estado que não tem nem a meia estudantil. Mas aos poucos isso vai melhorando. Isso é uma luta que precisamos sempre levantar bandeira. Mas, voltando a adrenalina, ela acontece mesmo quando o ônibus chega e sobe uma turma da escola! Vamos o caminho todo cantando, fofocando , planejando a diversão do dia seguinte. Todo mundo que anda de ônibus, sabe que o transporte público está uma negação, só nossa galera mesmo para transformar as viagens de ônibus em diversão .
Outra coisa interessante na volta à aula é que uma galera muda o visual. Tem quem corte o cabelo ou pinte, às vezes a gente nem reconhece algumas pessoas, mas já é uma boa pra puxar assunto e até uma paqueras.
Por falar em mudança, rolou no período das férias umas reformas nas escolas da minha cidade. A minha não mudou muito, só as cadeira de algumas salas que estão novas e isso gera bagunça da geral quando chega na sala e vê, daí, é uma correria pra pegar as mais novinhas. Mas, fiquei sabendo que tiveram escolas onde rola umas reformas intermináveis, com placas enormes dizendo que gastaram um monte de dinheiro e a escola não tem nada de novo só a pintura, quando tem a pintura né.
Espero que isso melhore gente, até por que o governo colocou o slogan " Brasil pátria educadora", e pra isso acontecer de verdade muita mudança tem de ser feita. Tipo a melhoria do ensino, a valorização dos professores, melhoria das condições estruturais das escolas, dos trabalhadores da educação, e, claro tem que ter verba e vontade política para que todas essas mudanças aconteçam. 

Eu sei que quero muito essas mudanças e não vou arreda o pé de junto da galera da escola para cobrar isso. É isso minha gente eu quero escola com tudo que temos direitos. Pois como disse Paulo freire: “A educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.

Oh até filosofei. Comenta aí pessoal. Bjos

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Eitaaaaa Nordeste bom e arretado!

Olhe minha gente, hoje escrevo por que estou é muito contente visse!

É que antes de ontem foi dia dos nordestinxs, e, pra mim é motivo de orgulho dizer que sou e que não arredo o pé de afirmar minha regionalidade.

E o que me chateia de verdade é uma galera que bota pra lascar com quem é das bandas de cá sabe?!  E mais o tristes que muitos já foram daqui ou são filh@s de nordestino. Pode uma  coisa dessa?  Mesmo hoje não sendo o dia 8 de outubro, quero só dizer alguns motivos desse meu orgulho.


1. A nossa região foi sim muito pobre, mas com a garra e força que temos (somos 9 estados) que aos poucos estamos mudando esse cenário.

2. Nós nordestinxs, fomos e temos sido, a população que mais faz esse país crescer, mesmo trabalhando fora do nosso lugar de origem.

3. Somos inteligentes e sabemos fazer muito bem as nossas escolhas, principalmente políticas por que sabemos que realmente se compromete com a nossa região, pois só nós sabemos o quanto tivemos que ser criativos para driblar as dificuldades e sobreviver e que até pouco tempo era vista  como um problema para o país.

4.  Nossa região por mais sofrida que seja, por conta das questões climáticas, ainda acaba sendo sendo a mais visitada, e acaba sendo o sonho  de consumo  de muita gente passar uns dias por aqui, conhecendo nossas praias, parque aquáticos e ecológicos, o são joão o carnaval e por aí vai. 


5. Somos a região  de  maior riqueza natural deste país    

6. E por fim somos 53.081.950 pessoas (Censo 2010) espalhadas em 9 estados que valorizamos e não abrimos mão da nossa cultura, raízes, identidade e diversidade!

E é por isso minha gente, que somos o que somos! Um povo forte e que não arreda o pé da luta! Parabéns a todos os conterrâneos e também para aqueles que simpatizam e valoriza o nosso nordeste.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

A mulher negra, que resiste e luta.



Enegrecendo o feminismo:

Nosso feminismo busca evidenciar as distinções entre os gêneros, pois não existe uma única categoria “mulher”. A negação de nossas diferenças mantém as opressões das quais somos as principais vítimas. Nós mulheres negras ainda somos relegadas à posição de subalternidade. Mesmo possuindo uma antiga história de lutas contra opressões e violências, frutos não só do machismo, mas também do racismo, praticado inclusive pelas mulheres brancas, as mulheres negras ainda não conseguem que suas pautas sejam problematizadas enquanto pautas do movimento feminista.

Diante disso, ressaltamos a importância da implementação do dia 25 de julho como o dia da mulher negra latino americana e afro-caribenha e dia da mulher negra Teresa de Benguela. Acreditamos que essa data seja importante para o resgate da identidade e empoderamento da mulher negra, para incidir e fomentar as politicas públicas que possam promover as mulheres negras o acesso a cidadania.

No que concerne às questões envolvidas na noção de direitos sexuais e reprodutivos, por exemplo, apontamos que, para além das especificidades da reivindicação do direito ao aborto gratuito, legal e seguro. Pensar no direito a maternidade das mulheres negras implica também, o direito de não ser submetida às políticas públicas de controle de natalidade de viés eugenista. E, ainda, há outro aspecto, quando optam pela maternidade, o fazem sob a ameaça de verem seus filhos assassinados pela fome, pelo atendimento precário a saúde da criança e pelas políticas governamentais de segurança pública que apresentam como um de seus resultados mais perversos, o genocídio da população jovem negra.
Por fim, compreendemos a necessidade do dia 25 de julho como um dia histórico da luta da mulher negra, que resiste e luta.

Salve Teresa de Benguela e todas as guerreiras negras!





Bloco das Pretas: resgate da identidade da Mulher Negra.

O Bloco das Pretas é uma frente feminista do CEN (Coletivo de Estudantes Negros) e, se originou em 2013, em Belo Horizonte, Minas Gerais, diante a necessidade de se ter um espaço exclusivo e de empoderamento das mulheres negras que o compunham, pois mesmo em um espaço de militância negra, o machismo ainda permeia nossas relações. Não foi pensado, contudo, como um espaço de dissociação dos homens negros, pelo contrário, acreditamos que estamos em conjunto com os companheiros negros em um processo continuo de desconstrução do machismo. O Bloco foi uma resposta à percepção de que nossa luta política se constrói na compreensão da interseccionalidade de gênero, raça e classe. Constituímo-nos enquanto mulheres periféricas, que lutam por sua sobrevivência e de sua comunidade e nos colocamos contra o encarceramento e o extermínio da juventude negra. Acreditamos e valorizamos na multiplicidade, enquanto mulheres, héteros, lésbicas, bissexuais, em maioria negras e pobres. Por meio de nossas vozes, denunciamos o racismo, o machismo e as diversas opressões de gênero, de cunho religioso e cultural.

Nosso intuito é de compor uma luta completa pela descolonização do pensamento do feminismo burguês, do conhecimento, do discurso, via o empoderamento das mulheres negras. Acreditamos que a valorização de nossas matrizes afro-brasileiras são as ferramentas necessárias para refletirmos acerca das dominações as quais nós, negras, estamos submetidas. Nos colocamos no papel de denuncia contra o racismo institucional, e usamos a organização coletiva como estratégia de enfretamento contra as estruturas que nos esmagariam se nos colocássemos diante delas como personagens isoladas. Afirmamos o valor de nossa cultura, de nossos saberes, e, quando fazemos isso, buscamos resgatar, demarcar e dar visibilidade a significativa participação das mulheres negras na história de nosso povo, como forma de resistência ao domínio patriarcal. Estamos relendo e reescrevendo a história reivindicando o devido lugar daquelas que são sempre esquecidas na construção e rememoração dos ícones. Buscamos dar visibilidade à mulher negra, como sujeitos de valor nos espaços da arte e da cultura, da produção de saber, da luta política, e expressão de beleza.



Saiba Mais:


Projeto Co-Financiado União Europeia

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Os conteúdos deste blog foi elaborado com a participação financeira da União Europeia. O seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seus realizadores, não podendo, em caso algum, considerar que reflita a posição da União Europeia

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