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terça-feira, 22 de maio de 2018

Recomendações dos adolescentes no 2° congresso Brasileiro de Enfretamento a Violência Sexual



Estiveram reunidos em Brasília cerca de 60 adolescentes entre os dias 14 a 16 de maio para participar do 2° Congresso brasileiro de Enfrentamento a violência sexual contra crianças e adolescentes. 
Um dos momentos de sacudiu as atividades dos segundo congresso, aconteceu na manhã do dia 15 por meio da mesa que discutiu sobre Participação e Protagonismo de Crianças e Adolescentes e Jovens o momento contou com as palestrantes: Caroline Arcari – Instituo CORES; Miriam Fonseca - Cia Távola de Teatro, Coletivo Baiano pela democratização da mídia e Campanha Ana   e Gabriela Mora – UNICE com mediação de Inês dias.
Carol Arcari apresentou a experiência da Escola de Ser.  Uma escola propõe uma educação baseada na autonomia, apresentando um currículo construído pelas meninas e meninos, priorizando a afetividade, a responsabilidade, a qualidade de vida e o cuidado com o outro.
Já a jovem Mirian Fonseca, trouxe seu relato trajetória pessoa de participação juvenil em diferentes espaços trazendo com ponto de reflexão a caminha para conhecer e apropriar-se de fora a intervir nos
espaços de decisão de forma qualificada, e a história de vida de cada adolescente deve ser considerada como esse ponto de partida.
Gabriela Mora da UNICE, trouxe o resultado de uma pesquisas virtual sobre o tema da violência sexual que contou com 2.206 pessoas no site do Ureport Brasil onde 88% dos participantes indicam que gostariam de falar mais sobre o tema.  
Após as falas, houve um grande debate acerca do modo de como as organizações incentivam essa participação, também foi no momento de debates que os adolescentes presentes reivindicaram a importância de terem voz e voto nos diferentes processo que são pensamos para elaborar diretrizes que decidam sobre suas vidas.
Instigados por esse momento os adolescentes presentes se organizaram para então debater e tirar  Segue na integra abaixo
propostas que elencam como necessárias para a prevenção e combate à violência sexual de meninas e meninos, apresentando no momento final uma carta onde reúne a maioria das questões.







                CARTA DOS ADOLESCENTES, BRASÍLIA 16 DE MAIO DE 2018.

Nós adolescentes mobilizadores, protagonistas juvenis, presentes nesse Congresso viemos por meio desta carta, nos posicionar diante da realidade brasileira de violação de direitos sexuais de crianças, adolescentes e jovens. Por isso, desejamos que sejam consideradas as seguintes propostas e que esse documento seja anexado ao relatório final deste Congresso. Reafirmamos com esta carta a importância do trabalho com educação entre pares em todos os setores públicos e da sociedade civil. Pensamos que no futuro a diversidade LGBTI não será um tabu, mas sim a potencialidade do desenvolvimento de uma sociedade mais justa.   Sendo assim, segue abaixo as propostas elaboradas pelos(as) adolescentes e jovens no Espaço Adolescente Pedro Henrique Higuchi:
             Ampliação da produção de audiovisual e mídias sociais para as estratégias de enfrentamento a violência sexual, uma vez que, estas são importantes para mostrar as realidades e as vivências dos territórios de uma forma diferente, leve e lúdica;
             Que o poder público do nosso país possa fortalecer os espaços de formações qualificadas para os\as profissionais que atuam diretamente com a escuta e acolhimento de crianças, adolescentes e jovens vítimas de qualquer violência sexual. Além disso, desejamos que o nosso sistema de garantia de direitos de crianças, adolescentes e jovens seja fortalecido e, que haja redução da requisição informações necessárias para o uso do DISQUE 100 e outros aparatos de denúncia de violações de nossos direitos.
             Que o poder público garanta condições para o trabalho de uma Equipe Multidisciplinar nos serviços que compõem a nossa rede de proteção.
             Reconhecendo nossa realidade cruel de alto índice de casos de exploração sexual infanto- juvenil desejamos que haja mais políticas de qualificação profissional e oferta de empregos e oportunidades, considerando os grupos com maiores índices de desigualdades sociais: LGBTI, negros\as, indígenas, quilombolas, mulheres, pessoas com deficiências.
             Fortalecer as formas de enfrentamento as violências sexuais nos espaços de mídias sociais que são muito frequentados por crianças, adolescentes e jovens.
             Oportunizar espaços de sensibilização para formação de novos educadores\as sociais de enfrentamento as violências sexuais.
             Disseminar e sensibilizar sobre as especificidades da exploração sexual e gerar o fortalecimento de estratégias para o enfrentamento desta violência, com o foco principal nas vítimas;
             Fortalecer e qualificar os serviços de convivência familiar. 
             Fortalecer as campanhas promovidas pelo Estado para a conscientização da sociedade sobre o enfrentamento às violências sexuais;
             Fortalecer os espaços culturais, de educação, serviços comunitários que trabalham a questão do empoderamento das identidades diversas.
             Potencializar a conscientização acerca do movimento LGBTI.
             Disseminar conteúdo formativo com foco nas famílias, nas escolas e na comunidade em geral sobre sexualidade e gênero.
             Encontrar formas de conseguir abrir os diálogos nos espaços mais conservadores e revisionistas.
             Criar estratégias para o entendimento sobre o fenômeno dos abusos sexuais dentro das relações de namoro e matrimônio: Estupro Marital e Relacionamentos Abusivos.
             Criar espaços de conscientização sobre a condição dos/as adolescentes enquanto sujeitos de direitos, inclusive sexuais e reprodutivos.
             As “Minorias” são mais vulneráveis a sofrerem discriminação na internet.
             Desenvolver um mapeamento das campanhas em âmbito nacional existente de enfrentamento a violência sexual com intuito de sistematiza-los e disponibiliza-los para o fortalecimento das campanhas.
             Fortalecer as estratégias de responsabilização dos/as praticantes de crimes virtuais.
             Desenvolvimento institucional para reintegrar a vítima na sociedade. Cyberbullying é crime!!!!!!!
             Aumentar os investimentos públicos nas campanhas de conscientização e desenvolvimento de propagandas contra a violências sexuais, bullying, propagação de mídias de foro íntimo. (Conselhos de direitos e espaços de controle social).
             Oportunizar os espaços de participação e protagonismo para as populações que encontram-se em situação de vulnerabilidade para que as reais vivências dessas populações, em seus territórios, sejam consideradas na distribuição dos recursos públicos.
             Fortalecimento da união de raças e lutas de campanhas.
             Garantir a efetivação concreta das Leis 10.639, que oportuniza o ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana nas escolas, e 11.645, sobre o ensino da origem e Cultura Indígena na educação, pelo poder público e toda Rede de Proteção à Crianças, Adolescentes e Jovens, uma vez que as mesmas são excluídas e/ou negligenciadas em todo o país.
Queremos ter voz e participar ativamente na nossa sociedade, nas decisões do nosso país, sabemos que cada um/a aqui presente tem suas realidades, suas culturas e é isso que faz o nosso país ser diverso, mas precisamos e podemos todos/as juntos/as lutar por Justiça, Igualdade, mais oportunidades e principalmente respeito pelas nossas vozes e vozes de todas as crianças, adolescentes e jovens que tem os seus direitos violados, ou são expostos a situações de violências.
Não vamos permitir que mais uma vez os nossos direitos estejam tratados com meros objetos, que nossas vozes sejam desconsideradas. Estamos num momento de completo descaso da nossa constituição, a exemplo disso a aprovação da absorção do Sistema Socioeducativo para o Sistema Prisional, que acabou de acontecer, o que faz com que percamos mais direitos, mais espaços e o processo de socioeducação com os/as adolescentes que cumprem as medidas socioeducativas. O que irá acontecer com a nossa juventude? Quando seremos ouvidos/as? Quando seremos respeitados/as? Nós temos vozes e queremos ser ouvidos/as!!

Representação dos adolescentes que elaboraram a carta
Rap da Saúde - RJ
Grupo Ruas e Praças - PE
Coletivo Mulher Vida – PE
Rede Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes - PE
CMM Julia – PE
Casa de Ismael – DF
Brejo das Sapas – MG
CMDCA / FJSFA - RJ
CPA - GO
Pastoral da Juventude/ Paróquia Santa Inês - AC

Ocupação Gregório Bezerra - CE
Conselho Consultivo da Criança e do Adolescentes PB
REMAR - PB
Centro Social Marista Irmão Henri Verges - PR
Mana do Céu – MS
Cidade dos Meninos - MS
CEDCA MS - MS
COMCEX - MS
SEDICA - MS
CESAM - DF
Plan International – BA
EmPODERa Manas - PA





quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Conecte-se ao que se importa.



De quando em quando aparecem alertas sobre o uso abusivo e excessivo de aparelhos tecnológicos, internet e as redes sociais. E as vezes, nós mesmo nos perguntamos qual é o limite de acesso a esses aparelhos. Ao mesmo tempo que os aplicativos e o acesso as informações que circulam pela internet nos ajudam, também pode prejudicar muito alguns aspectos de nossas vidas, seja no trabalho, na família ou nos estudos. 

Se o excesso de uso é prejudicial à qualquer pessoa, para crianças e adolescentes os efeitos podem ser ainda mais tóxicos. Atualmente as crianças e os adolescentes vivem em dois mundos: aquele que todos conhecemos, o mundo real, e o mundo virtual. O segundo parece muito mais interessante e
surpreendente, oferecendo aventuras e oportunidades à busca pela autonomia, mas também, perigo e riscos.

O mundo da internet e a velocidade da comunicação se tornaram o "lugar vivo de verdade" onde todos se encontram, aprendem, jogam, brincam, brigam, trocam fotos, ganham dinheiro, começam e
terminam amizades e namoros, e sendo esse o lugar tão” vivo”, exerce uma grande influência ao desenvolvimento. Ao ponto de sofrermos violência graves que prejudicam e muito sua saúde física e psíquica, e é preciso atenção dos pais e responsáveis para os limites e cuidados na hora de usar as tecnologias.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação em 2015 com crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos, mostrou que: 

1- 80% são usuárias da Internet sendo que para 83% delas o celular é o principal dispositivo usado na conexão.
2 - 37% viram alguém sendo discriminado na Internet nos últimos 12 meses, ou seja, foram expostos à discurso de ódio e intolerância e volência.
3 - 20% sofreram cyberbulying
4 - 21% já deixaram de dormir por causa da Internet
5- 39% fizeram contato com pessoas desconhecidas, sendo que 21% passaram informações pessoais à desconhecidos.
6 - Em 11% das famílias os pais não sabiam o que os filhos faziam na Internet e em 44% sabiam mais ou menos.


Exemplo de casa

Antes mesmo de proibir ou limitar o uso de tecnologias às crianças, é preciso que os pais façam uma
autocrítica e sirvam também como exemplo dentro de casa. Os pais estão muito conectados e isso é como um risco para a família inteira. Os pais dizem, por exemplo, que não é para a criança usar na mesa, mas os pais acabam usando. É preciso perceber que as crianças fazem o que veem e não o que falamos.

Preocupadas com essa realidade, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou um Manual de Orientações sobre a Saúde da Criança e Adolescente na Era Digital com algumas recomendações que
podem ser acessados no link (veja guia aqui), assim como uma campanha “Conecte-se ao que Importa” produzida no ano passado pelo Projeto Dedica (Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes) e conduzido pela Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas – de Curitiba. A campanha que voltou a ganhar espaço e a circular pelas redes sociais e pelos grupos do WhatsApp nesse ano, aposta em imagens com frase que levam a refletir sobre o uso abusivo e excessivo do uso de aparelhos eletrônicos e das redes sociais tanto pelas crianças e adolescentes como pelos seus responsáveis. A campanha baseia-se em 3 etapas que envolvem a violência contra a criança:

1- O abandono dos pais em relação aos seus filhos por conta do uso indiscriminado da internet
2- As consequências dos abusos no uso da tecnologia
3 – Os perigos aos quais a internet expõe crianças e adolescentes.

São situações que afetam muito além do que possamos enxergar e como nós acreditamos da campanha Ana acreditamos no auto cuidado e na autoproteção queremos reverberar essa imagens como forma de alertamos para essas e outras situações que violam os direitos de meninas e meninos como a convivência familiar e comunitária.

Imagens da Campanha "Conecte-se ao que se importar"














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quinta-feira, 13 de julho de 2017

*ECA 27 Anos... Em tempos de retrocesso é preciso lembrar a história

Hoje 13 de julho é a data da aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescentes (ECA). Ao longo desse 27 anos essa lei mudou a forma e modos de enxergar meninas e meninos no nosso pais. Claro que precisamos ainda avançar em muitos aspecto para fazer com que o ECA seja efetivo. Em tempos de retrocesso de direitos, cabe a nós contar e reafirmar que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e que devem ter prioridade nas políticas públicas. Mas nem sempre foi assim...


“Menores em situação irregular” 

Eram assim que meninas e meninos eram considerados antes da aprovação do estatuto. O código de menores ou o chamado “Código Mello Mattos”, em homenagem ao autor do projeto vigorou de 1927, até os anos 90, considerava a pobreza uma ameaça à ordem pública e por isso, crianças e adolescentes negros, pobres e marginalizados eram considerados em situação irregular.

Foi preciso romper paradigmas, enfrentar disputas jurídicas, sair às ruas, construir argumentos convincentes, batalhar pela adesão da opinião popular. Para garantir às crianças e adolescentes prioridade absoluta na garantia de seus direitos, houve um intenso trabalho da sociedade civil organizada, cuja luta culminou na aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Túnel do tempo


Meados dos anos 80: era chegada a redemocratização. Após duas décadas de ditadura e opressão,

Com a função de redigir uma nova Constituição, que substituísse a promulgada pelo regime autoritário, a instalação da Assembleia Nacional Constituinte entre 1987 e 1988 respondeu a um amplo processo de participação popular. Foram recolhidas experiências e iniciativas por todo o território nacional, movimentos sociais pautavam a afirmação de direitos e a ampliação das garantias de cidadania e cartas encaminhadas pela população sugeriam as diretrizes para a nova Constituição democrática. Havia um ambiente de grande mobilização.

Organizações que atuavam em favor da infância e da juventude se articulavam para fazerem ouvidas

Estavam então lançadas as bases para o Estatuto da Criança e do Adolescente. Por um lado, o texto constitucional já trazia à luz um esboço do paradigma da proteção integral; por outro, havia se configurado uma articulação entre os atores da sociedade civil em defesa de meninos e meninas do país.
cidadãos e cidadãs de todo o Brasil saíam às ruas reivindicando a participação da sociedade civil na determinação dos rumos do país. Nas rádios, os clamores ecoavam por meio de canções de protesto e denúncia. “Estado Violência/ Estado Hipocrisia/ A lei não é minha/ A lei que eu não queria…”, cantavam os Titãs. Era premente construir novos marcos legais que vocalizassem as recentes conquistas.
suas demandas. Entre as iniciativas de entidades como Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Pastoral do Menor, Ministério Público de São Paulo, Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua (MNMMR), técnicos da extinta Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), entre outros, duas campanhas ganharam relevância: “Criança Prioridade Nacional” e “Criança e Constituinte”. A primeira foi uma ampla mobilização para coleta de assinaturas, visando à aprovação da emenda que, como sugere o nome da campanha, assegura a crianças e adolescentes prioridade absoluta na implementação de políticas públicas e garantia de seus direitos no país. Já a segunda foi uma iniciativa do Ministério da Educação, que atraiu também setores governamentais e da sociedade civil, cujo objetivo era tornar inimputáveis os sujeitos menores de 18 anos, aos quais se aplicaria uma norma de legislação especial. Ambas obtiveram a adesão necessária para que fossem apresentadas à Constituinte como emendas de iniciativa popular, e se converteram nos artigos 227 e 228 da Constituição Federal.

Boa articulação, interlocução estratégica

À época da Constituinte, surgiu o Fórum Nacional Permanente de Entidades Não-Governamentais de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, chamado Fórum DCA – atuante ainda hoje. Principal interlocutor da sociedade civil junto ao Congresso Nacional, ele reunia pessoas, entidades e grupos que defendiam temas relacionados a crianças e adolescentes, e foi o responsável por sintetizar e elaborar um consenso a partir de todas as propostas de dispositivos de proteção à infância a serem incluídos na Constituição.

Mesmo depois de aprovados os artigos 227 e 228, o Fórum DCA se manteve e, a partir de então, seus esforços passaram a se direcionar em outro sentido. “Como houve uma grande modificação de paradigma – crianças e adolescentes deixaram de ser considerados objetos de intervenção do mundo adulto –, tornava-se necessário reformar a legislação ordinária, na qual estava incluído o Código de Menores, substituindo-a por um diploma legal que fosse adequado à nova Constituição da República”, explica Paulo Afonso Garrido, atualmente Corregedor-Geral do Ministério Público do Estado de São Paulo e um dos principais juristas responsáveis pela redação do ECA.

Garrido propôs um projeto mais alinhado aos pressupostos agora contidos na Constituição de 1988. O documento, intitulado Normas Gerais de Proteção à Infância e Juventude, foi apresentado ao Fórum DCA e, a partir daquele esboço inicial, o Fórum, unindo segmentos sociais na tentativa de obter subsídios para a elaboração dessa nova lei, criou uma comissão de redação. Esse grupo da sociedade civil se encontrava para discutir ideias e tentar engendrar consenso, e o resultado desse debate era levado para o grupo de juristas responsável pela redação oficial.

Na elaboração da lei estavam envolvidos juristas, promotores, advogados, centros de defesa, grupos de estudos de universidades e militantes dos direitos da infância. “Esse foi um grande diferencial para o debate”, argumenta Mário Volpi, hoje coordenador de um programa do Unicef no Brasil e à época da elaboração do ECA educador social do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua. “Os militantes traziam a realidade das ruas e outras abordagens. O direito não é construído apenas a partir dos juristas; eles precisavam contemplar diferentes visões encontradas na sociedade. Começaram a circular pelo país pessoas de diferentes formações discutindo direito”, relata.

Limites ao Estado

A Constituinte era movida por dois grandes ideais: justiça social e liberdade. Tais diretrizes exigiam a redefinição de normas que impedissem os abusos do Estado que foram cometidos durante a ditadura. O Estatuto, obviamente, também se deixou influenciar por tais questões. Florescido em meio ao processo de redemocratização do país, ele é também uma decorrência sociopolítica do momento histórico.

O Código de Menores, baseado na chamada doutrina da situação irregular e no paradigma da tutela, tinha uma visão excludente de crianças e adolescentes. Como expõe Mário Volpi, “era uma perspectiva que penalizava a criança em função do abandono que ela sofria – da pobreza, da falta de uma família, da falência das políticas públicas, da falta de uma vaga na escola, etc. O tratamento era
No âmbito jurídico, a grande resistência ao Estatuto se deu justamente nas cláusulas que definiam a contenção da atuação da autoridade – o ECA limitava os poderes dos então chamados juízes de menores. O corregedor Paulo Afonso Garrido esclarece: “Na defesa da liberdade, há a necessidade de se estabelecer um conjunto de normas impeditivas dos abusos do Estado. Entre elas está a submissão de todo e qualquer acusado a um processo justo, em que se tenha advogado, possibilidade de defesa e oportunidade para apresentar seus argumentos. Mas isso não ocorria na área dos chamados adolescentes infratores. Os menoristas [defensores do Código de Menores] acreditavam que o sistema deveria ser mais aberto, sem grandes formalidades, porque a ideia que vigorava é que todos estariam ali para fazer o bem e ajudar o adolescente, ainda que mediante uma internação ou privação de liberdade”.

O ECA também representou a descriminalização da pobreza. Até então, a vulnerabilidade social tinha o status de criminalidade, o que permitia a privação da liberdade por meio de recolhimento para a Febem. O Estatuto supera esse paradigma e estabelece um outro referencial: reconhecendo meninos e meninas como sujeitos autônomos, protagonistas de suas histórias, ele desloca a intervenção estatal e a punição da chamada situação irregular e cede espaço para a definição de direitos e responsabilidades de crianças e adolescentes, de suas famílias, da comunidade e do Estado. A partir daí, coloca-se em primeiro lugar a necessidade de que garotos e garotas abandonados nas ruas ou autores de ato infracional, por exemplo, tenham seus direitos assegurados.

Além disso, duas instituições importantes surgiram com a lei: o Conselho Tutelar, encarregado de promover, fiscalizar e defender os direitos infantojuvenis, e os Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, que têm como atribuição o monitoramento e a proposição de políticas públicas para meninos e meninas. Alinhados com o momento da redemocratização e do fortalecimento da sociedade civil na condução dos rumos do país, ambos são formas de participação e democracia participativa, um relacionado ao atendimento direto e outro à gestão da política. Bem dividido na sociedade: eram as crianças e adolescentes por um lado – os filhos de famílias, que tinham situação estabilizada, uma casa – e os menores por outro”. Acreditava-se que as crianças eram meramente seres tutelados por adultos, e não sujeitos de direitos, e a legislação não estabelecia muitos limites para a intervenção do Estado. Era oferecida sempre uma mesma “solução”: recolhimento e internação na Febem, fosse a criança ou adolescente sujeito ou vítima de uma violação de direito. A institucionalização era o único caminho e o poder da autoridade judiciária era sem limites.

Para as crianças e com as crianças

O final da década de 1980 foi um momento singular da história brasileira, de grande efervescência dos movimentos sociais e participação da população. Nas ruas, havia banquinhas espalhadas para esclarecimento de temas políticos e coletas de assinaturas para as emendas de iniciativa popular à Constituição. “Era um ambiente de grande luta e mobilização social, de grande participação da sociedade civil na construção dos temas nacionais; um momento de uma certa euforia do reencontro da cidadania com o Estado de Direito”, avalia João Batista Saraiva, juiz aposentado, consultor da área da infância e juventude e um dos membros da comissão de redação do Estatuto.

O movimento da infância se fortalecia, manifestações e debates tomavam as vias. Em Belo Horizonte, por exemplo, houve em 1987 uma passeata na Avenida Afonso Pena com cerca de 1,5 mil crianças, que empunhavam seus cartazes falando de direitos. Já em Brasília, em 1989, o II Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua foi particularmente significativo na narrativa da luta pela aprovação do ECA. Reunidos por alguns dias na capital brasileira, garotos e garotas marginalizados de todo o território nacional, muitas vezes em situação de rua, queixavam-se das injustiças sociais a que estavam submetidos – fome, violência, preconceito, truculência policial, omissão do Estado, etc. –, mas também falavam de direitos, mostravam consciência política, expressavam-se, faziam arte, teatro e pintura, dançavam, sorriam e brincavam, como quaisquer outras crianças.

Em sessão solene no Congresso Nacional, esse grupo ocupou a Casa e aprovou simbolicamente o Estatuto. Enquanto os colegas estavam sentados nas cadeiras dos deputados, o adolescente que conduzia a sessão colocou a lei 8.069/90 em votação. Todos levantaram os braços em sinal de aprovação e responderam afirmativamente em uníssono, fazendo um grande alvoroço. “A votação simbólica do Estatuto pelas próprias crianças e adolescentes teve muita visibilidade na mídia e gerou simpatia por parte dos parlamentares. Foi um momento que deu legitimidade, porque eram as próprias crianças ali defendendo seus direitos. Foi emocionante e bonito”, avalia o então educador social do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Mário Volpi.  

Uma análise breve sobre alguns eixos cotidianos na vida destes sujeitos, desde 1990:


1) EDUCAÇÃO: os avanços obtidos na construção de escolas mais democráticas e efetivas na formação intelectual e crítica dos estudantes têm sido colocados em xeque com o avanço da ideia de "neutralidade no ensino" defendida no Programa Escola sem Partido. A neutralidade de que se trata é
a recusa a uma Educação que se alinhe aos avanços do conhecimento científico e social, na medida em que até mesmo a ideia de "neutralidade" (critério exigido no fazer científico do século XIX) foi superado nas últimas décadas do século XX. Além disto, foi aprovado um teto orçamentário que não mantém as condições necessárias à consolidação dos avanços obtidos até 2017.



2) SEGURANÇA: a segurança pública brasileira ainda se organiza e opera de modo que a população, em sua maioria negra e pobre, é excluída dos cuidados e, ao contrário, é tida como alvo privilegiado. O Sistema Socioeducativo, no qual adolescentes que cometeram atos infracionais são responsabilizados, obteve investimentos diferenciados em cada Estado e muito ainda há que mudar. Há algumas Unidades de Internação que se caracterizam como verdadeiras masmorras, há atores sociais do Sistema de Garantia de Direitos que ainda atuam na lógica do Código do Menor. O racismo ainda é um elemento que engendra as relações sociais e determina a organização da segurança pública. A articulação entre “segurança” e “direito à proteção”, já instituída e consolidada em diversos países permanece fragilizada e instável no Brasil.


3) SAÚDE: os avanços do SUS (Sistema Único de Saúde) ainda não alcançaram os sujeitos crianças
e adolescentes em suas demandas específicas tal como necessário.


4) ASSISTÊNCIA SOCIAL: a instauração do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) reverberou em mudanças significativas em diversas áreas do cotidiano de crianças e adolescentes em situação de extrema pobreza. Além disto, hoje é realidade que as atividades nesta área têm caminhado, mesmo com os obstáculos administrativos e orçamentários. O corte no orçamento das políticas sociais terá efeitos drásticos na manutenção da nova realidade alcançada entre a população do Brasil que se encontrava abaixo da linha da pobreza antes das referidas políticas.


5) CULTURA: a infância e adolescência ainda permanecem reféns de uma produção que resulta em "adultifica-los". As atividades têm tido muito mais o objetivo de transforma-los e mantê-los como
consumidores do que inserir e acolhe-los no universo simbólico da produção cultural humana. De outro modo, a Cultura cada vez mais tem sido lugar da organização da resistência ao retrocesso.


6)ALIMENTAÇÃO: nas últimas décadas a alimentação tem sido deslocada de sua função de essencial de nutrição. Alimentos não saudáveis e causadores de diversas enfermidades têm sido vendidos na mídia como modo simbólico de status social, obtenção de felicidade. Estudos indicam que é muito comum crianças e adolescentes escolherem e decidirem sua alimentação utilizando-se de critérios distintos daqueles que as faria obter os nutrientes necessários a uma vida saudável.

O balanço destes 27 anos de Estatuto da Criança e do Adolescente convida a identificar os caminhos necessários à defesa e garantia dos direitos conquistados. Renovar ânimo e seguir resolutos.


* Esta reportagem foi readaptada  da  quinta edição da revista Rolimã da organização Oficina de Imagens de BH/MG (página 10). Acesse a revista na íntegra aqui. E com complementação do site do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente de Minas Gerais CEDECA_MG Veja aqui.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Aperte o rec... Seu depoimento pode contribuir para melhorar a vida de jovens LGBTI...

Você conhece o projeto “It Gets Better” (“Tudo Vai Melhorar”)?  Então senta que é bafo. E é também
um convite muito especial a vocês adolescentes e jovens LGBTI.

O projeto foi criado em setembro de 2010, pelo norte americano Dan Savage e seu esposo Terry Miller, quando postaram um vídeo no Youtube para servir de inspiração para jovens LGBTI sofrendo bullying na escola e rejeição familiar que seus problemas têm solução, que não estão sozinhos, que há muitas pessoas como eles e que ao final, tudo vai melhorar...

Hoje o projeto “It Gets Better” (“Tudo Vai Melhorar”) tornou-se um movimento mundial, inspirando mais de 50.000 vídeos no Youtube, criados por usuários e vistos mais de 50 milhões de vezes. Até agora, o projeto recebeu contribuições de celebridades, organizações, ativistas, políticos e personalidades dos meios de comunicação, incluindo o ex-presidente dos EUA, Barack Obama.

Atualmente, além dos Estados Unidos e do Brasil, a rede internacional do projeto “It Gets Better” está presente em outros 14 países, incluindo os seguintes países latino-americanos: Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai e Peru. http://www.itgetsbetter.org/content/international

No Brasil, o projeto It Gets Better é coordenado pelo Grupo Dignidade, uma ONG LGBTI fundada em Curitiba em 14 de março de 1992. O projeto “It Gets Better Brasil é executado em parceria com a Aliança Nacional LGBTI, além de outras parceiras que estão se juntando à iniciativa.

Curtiu o projeto? Nós também curtimos e apoiamos. E queremos reforça um chamado especial.

Ajude adolescentes e jovens LGBTI a olharem para o futuro com esperança e inspiração...


Você que é gay, lésbica, bissexual, pessoa trans ou intersexo (LGBTI), que conseguiu superar o bullying que tenha sofrido na escola ou outro ambiente por ser adolescente ou jovem LGBTI, conte a sua história em vídeo de 1 minuto, enfatizando como superou e como a vida melhorou.

Grave um vídeo e mande para projeto, relatando sua experiência, com duração de 1 minuto, ou 1”30” no máximo, conforme as instruções no breve guia abaixo. O importante é dar mais ênfase para uma mensagem positiva, mostrando que tudo pode e vai melhorar. Como melhorou para você depois de adulto, pode melhorar para os/as adolescentes e jovens LGBTI que estão passando por momentos difíceis atualmente. Pode mencionar algumas coisas ruins que aconteceram com você, mas a mensagem principal tem que ser para cima, dando esperança e inspiração para um futuro melhor: Tudo Vai Melhorar!

Colabore com o bem-estar de adolescentes e jovens LGBTI, gravando seu depoimento otimista!
E aí tá afim de ajudar essa iniciativa?

É simples... Leia o guia de instrução prepare o make up dê o close, quer dizer... Aperte o rec ... e Mande seu vídeo para o e-mail:brasil@itgetsbetter.org

E o que você ganha com isso? Inspiração. Pode não parecer, mas tem alguém do outro lado da telinha que estava esperando exatamente a sua história para poder sair da Bad e olhar para o futuro e dizer “tudo vai Melhorar”. Viu só o quanto pode ganhar? Então bora mandar esse vídeo be...



Atenção:

Ao enviar o vídeo para projeto, você está concordando e autorizando sua editoração e publicação nas seguintes mídias sociais, e futuramente em site próprio do projeto, os quais podem ser acessados e copiados livremente pelo público.

Facebook: https://www.facebook.com/itgetsbetterbrasil/
YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=nDY-Q5nQ1-8

Ah.... Não esqueça de informar como você gostaria de ser identificado no vídeo. Por exemplo, seu nome e profissão, mais alguma informação que gostaria que constasse.

O e-mail de contato do projeto It Gets Better Brasil é: brasil@itgetsbetter.org







quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sentimetos que mexe e revira agente

 E galera como vocês estão? Eu tô meio deprê, minha cabeça tá girando 360graus por segundo com uns pensamentos que não me largam. Acho que estou apaixonada, isso poderia ser bom né?! Mas tá sendo bem difícil. Meus desejos parecem não caber nesse mundo, meu amor parecer ser proibido. 

Engraçado que é um sentimento tão bom, mas não posso partilhar porque nem todos vão entender. Vivemos em uma linha tênue entre certo e errado, bom e mal, pecado não pecado, profano e divino. Isso não nos permite muitas vezes assumir o que de fato sentimos.

Nossas escolhas trazem consequências e quando essas consequências esta relacionado com o nosso cotidiano nem sempre fazemos a escolha que queremos em função das amizades, da família. O medo de ser rejeitada por assumir quem somos o que queremos, nossas paixões nos faz prisioneiras de nós mesmo.


Que eu estou apaixonada isso é fato, agora até assumir isso publicamente tem sido uma barra. De pensar que esse sentimento surgiu de uma forma tão natural e hoje me toma todo pensamento, eu juro que não sei como aconteceu, só sei que eu não paro de pensar, não consigo passar um dia sem vê a pessoa. E pra completar eu sei que ela sente o mesmo e deve esta na mesma situação que eu.

Eu até já havia sinalizado pra minha essas mudanças que me deixam numa confusão da peste. Um vuco vuco no peito que chega a doer, tá aqui nesse relato (o reflexo do espelho).

E toda hora que penso me pego com esse trecho do poema na minha cabeça “Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer...” LUÍS VAZ DE CAMÕES

Ainda acredito que teremos um mundo mais justo, onde as pessoas possam amar quem quiser, e as demais saberão respeitar as escolhas dos outros. Um mundo amores diversos, de sentimentos verdadeiros, sinceros.
Vocês devem tá pesando: essa menina é... Eu digo que não sei. Quem sou eu? Sou muitas e tantas outras! Definir-me, me limita a ser alguém que ainda não sou.

E você  já  passaram por essa situação?  Compartilhe aí  no comentário com que foi  ...Para finalizar deixo com vocês essa música de Djavan, que escuto praticamente todo dia, pra aliviar meus pensamentos.
Djavan - Um Amor Puro
“O que há dentro do meu coração. Eu tenho guardado pra te dar. E todas as horas que o tempo
Tem pra me conceder. São tuas até morrer.
E a tua história, eu não sei, Mas me diga só o que for bom. Um amor tão puro que ainda nem sabe
A força que tem, É teu e de mais ninguém.
Te adoro em tudo, tudo, tudo, Quero mais que tudo, tudo, tudo, Te amar sem limites
Viver uma grande estória
Aqui ou noutro lugar, Que pode ser feio ou bonito, Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul, Um amor puro, Não sabe a força que tem, Meu amor eu juro, Ser teu e de mais ninguém, Um amor puro...”


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Que princesa que nada, Eu sou é de luta mesmo!

Ai gente, tô precisando tanto desabafar. Tá rolando um troço meio chato lá em casa. Tô prestes a fazer 15 anos e minha família cismou que fazer aquelas festas de debutantes, com bolo gigante, 14 meninas acompanhando tudo de rosa, convidar 15 meninos também pra acompanhar as meninas e inclusive me acompanhar, puxar fitinha, dançar valsa... Ai que agonia, só de pensar já vai me dando abuso.
Poxa, eu não quero isso, primeiro porque nem grana a gente tem para inventar essas coisas, segundo eu não gosto disso, num tem nada a vê comigo, quero sim comemorar meu niver, porém do meu jeito, com minha galera da escola, alguns da vizinhança que curto e família, mas do meu jeito.

Até porque, como sou bem curiosa, eu andei pesquisando net de onde surgiu essa ideia de festa de debutante e pasmem vocês isso é a maior roubada, história completamente fundada no machismo escroto onde as famílias realizavam rituais na puberdade para dizer para sociedade que as meninas deixavam de ser meninas e passavam a ser mulher, pronta para o casamento e reprodução. Tinha até uma escola para as meninas que completavam 15 anos aprender tradições familiares de como cuidar de casa, filhos e ser uma boa esposa.

Agora tudo isso aconteceu na cultura pré-colombiana Asteca e Maias e o povo ainda mantém e muita gente sem nem saber a origem. Maior palhaçada isso. Se eu já num queria depois de lê sobre isso agora é que eu não quero mesmo.

E daí fiquei pensando na tal de escola de Princesa que tá rolando em alguns lugares do país: Meninas com uniformes cor-de-rosa e laço na cabeça se reúnem em volta de uma mesa e tomam um chá, enquanto aprendem todas as regras de etiqueta, incluindo a maneira correta de pegar a xícara e posicionar os braços. O ambiente, chamado de castelo, com a decoração predominantemente em tons de rosa, combinando com
o uniforme, tem rococós e fru-frus. Parece uma cena de um desenho animado (antigo) sobre princesas, mas é atual e acontece aqui mesmo, no Brasil. E isso mostra mais uma vez que homens e mulheres devem ser tratados de forma diferente e que os direitos e deveres não são igualitários! É um total retrocesso. Que princesa que nada, eu só é de luta mesmo.

Eu até imprimir esses dois artigos pra quando mainha chegar do trabalho eu lê pra ela. Quem sabe depois de saber a verdade sobre essa palhaçada ela num pensa melhor e desencana dessa ideia. Vou pedir pra ela comprar uns livros pra mim e algumas roupas com essa grana que ela tava afim de gastar com festa. Até porque, mesmo ela comprando isso pra mim num chega aos pés do gasto que ela teria se fosse fazer festa, ainda mais pra depois todo mundo sair falando. Aff! Mas vamos pensando, ainda falta um tempinho pra chegar o dia, daqui pra lá eu vejo como vou comemorar.

E você já comemorou seus 15 anos? Conta aí o que acha disso.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

ONU disponibiliza planos de aula para professores trabalharem gênero na escola


 Via Clipping LGBT  por Carol Patrocinio

Crédito: Agencia Brasil EBC 
Publicado pelo portal Onda, em 8 de setembro de 2016

A discussão sobre educação de gênero nas escola já é uma pauta discutida há algum tempo, porém o entendimento disso ainda é superficial. Não se leva em consideração que todas as nossas relações são pautadas pela maneira como nos enxergamos e enxergamos ao outro. Já existe educação de gênero nas escolas, mesmo que silenciosa, e ela não é inclusiva. Ainda é uma educação sexual heteronormativa e fora da realidade dos estudantes.
Segundo estudo publicado no British Medical Journal, abordagem escolar sobre o sexo sexualidade é moralizante, negativa e é feita por professores destreinados, envergonhados, além de ser “científica demais”. O que contribui para varias violência no ambiente escolar relacionas as identidades de gênero e sexuais. - Acesse também: Ambiente escolar, Adolescência e LGBTFOBIA - 

A ONU – Organização das Nações Unidas lançou, em parceria com a iniciativa O Valente não é Violento, organizou e publicou um currículo de gênero que pode ser implantado com facilidade nas escolas e mudar essa realidade. O projeto foi financiado pelo União Europeia e revisado pela área de Projetos de Educação da UNESCO.

A ideia é atingir alunos do ensino médio com debates,discussões e materiais que os façam refletir sobre as relações que criam entre si e como todas elas são influenciadas por papéis de gênero e amarras sociais.

As aulas falam sobre (1) Sexo, gênero e poder; (2) Violências e suas interfaces; (3) Estereótipos de gênero e esportes; (4) Estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia; (5) Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades; e (6) Vulnerabilidades e prevenção. Os documentos trazem referências, bibliografia e até indicação de filmes que abordam as questões.

Todas as aulas estão disponíveis para download e os profissionais que quiserem discutir o currículo ou falar sobre sua aplicação podem entrar em contato com a instituição pelo e-mail ovalentenaoeviolento@gmail.com.









segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ambiente escolar, Adolescência e LGBTFOBIA

Um  levantamento on line  com  1.016 estudantes brasileiros que têm entre 13 e 21 sobre o Ambiente Educacional no Brasil em 2016,  mostra a dimensão das “experiências de adolescentes, jovens lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais” em escolas do País.
  A maioria desses/as estudantes LGBT frequentou o ensino médio em 2015. E revelou que o ambiente escolar não e nada seguro para aqueles  que não estão na lógica heteronormativa.

É  possível perceber  pelos gráficos abaixo das resposta  o quão  inseguro se sente   elas e eles no ambiente escolar em relação a sua orientação sexual.   Essa pesquisa  vem confirma  o que outros estudos publicados nos últimos dez a quinze anos vêm demonstrando e confirmando cada vez mais o quão a LGBTfobia (medo ou ódio irracionalmente às pessoas LGBT) no contexto da sociedade brasileira, estas produzindo as mesmas lógicas nas instituições educacionais.
fonte: imagem da pesquisa

fonte: imagem da pesquisa

A amostra final foi composta por  estudantes oriundos/as de todos os estados brasileiros e o Distrito Federal, com a exceção do estado do Tocantins. Quase a metade se identificou como sendo do gênero feminino (46,9%), a maioria se identificou como sendo gay ou lésbica (70,7%) e os/as demais respondentes se identificaram como bissexuais ou como tendo outra orientação sexual que não a heterossexual.
É possível ler a pesquisa de dois modos: pelas estatísticas ou pelas histórias por trás delas. Os dois causam espanto e preocupação.
Ao longo das mais de 80 páginas do estudo, alguns depoimentos ligam os dados a sentimentos. “Não gosto mais de ir pra escola porque é lá que tenho minhas piores lembranças. Ano passado me zuaram só porque eu gostava de uma professora. Eles me chamavam de sapatão, me xingavam e eu me sentia infeliz”, escreve uma estudante lésbica de 14 anos, do Ceará. Tento desmentir minha sexualidade porque se já sofro bullying sem assumir, imagina se assumisse. Minha mãe tenta me fazer ir pra escola, mas não adianta. Penso em até suicídio, mas ela tenta me dar forças... Meu conceito sobre a vida é que ela não tem valor quando você é alvo de bullying, a infelicidade é sua vida”, une.

No cenário das respostas 73 do total de estudantes LGBT disseram ter sido agredidos verbalmente por causa de sua orientação sexual; 27% contam ter sofrido agressão física por causa de sua orientação sexual; 36% avaliaram como “ineficaz” a resposta dos profissionais da escola para impedir as agressões e 39%revelaram que nenhum familiar procurou a escola para falar sobre a violência sofrida.

A íntegra do estudo pode ser acessada pelo endereço eletrônico: http://www.abglt.org.br/docs/IAE-Brasil.pdf

  

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O reflexo do espelho (quando o olhar de fora reflete cá dentro)

  Nesses dias em que o tempo e a estação mudam, eu fico mais reflexiva.
Sim. Isso é muito bom e, às vezes, dolorido. No entanto, o que eu quero compartilhar com vocês hoje é exatamente esse olhar, que de vez em quando precisamos ter.
Outro dia, estava procurando uma roupa que me deixasse legal (mais linda – por que eu já sou bonita, né verdade?). Daí tudo que eu colocava, eu não me conseguia me sentir bem. E olha que o meu guarda roupa nem tem tanta roupa assim.
Oxé! É ai que percebemos que o problema (se é que posso chamar de problema) não está do lado de fora, mas o que nos toca está mesmo é cá dentro! Tenho visto como tenho mudado...meus interesse continuam, mas um pouco mais refinados e críticos.
Acho que todo mundo passa por isso não é mesmo? Tipo, tem dias que você se acha a última bolacha do pacote, mas tem dias em que olhar para você mesmo fica muito difícil (Para não falar “horrorivél”). Fiquei me perguntado o motivo disso. Será que são as influências das minhas amigas? Da família, da escola, da minha cidade?

Não sei! O que sinto é que essas mudanças exigem muita paciência. Afinal, é difícil abandonar um jeito de ser para agir de uma forma que ainda não se é. “Essas mudanças levam tempo, às vezes levam anos”! Foi a dica que mãinha me deu. Outra coisa que ela falou quando eu estava desesperada e “louca de kisuqui” e fui falar com ela sobre essas mudanças, daí ela, serenamente, me respondeu: “Filha, é preciso ir com calma, respeitar as mudanças que você irá passa, isso que dizer que você está amadurecendo.
 É normal que você se sinta perdida, mas dê tempo ao tempo e viva essa mudança de forma positiva.
Tu vai ver que nem vai doer.”
Aí eu disse: Pronto, mãinha tá “Hare Hare” srrs! Mas achei massa ela ter falado essas coisas, mesmo não fazendo muito sentido para mim. Vou esperar com calma para ver no que vai dar.
Vocês devem estar se perguntando que mudanças são essas ne? Pois então, nem eu mesmo sei como e o que são. Sei que da vucu vuco no peito. E que quando olho no espelho, me entristeço, me alegro, choro, sorrio, e olho muito para o meu corpo.
Você também já se sentiu assim?
Bora trocar umas figurinhas para podermos pelo menos entender essa fase.
Deixa aí um comentário!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

CURSO DE CAPACITAÇÃO PARA ADOLESCENTES


O Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Região Litoral) e a Campanha ANA (Aliança Nacional de Adolescentes) promovem capacitações para adolescentes com idades entre 14 e 18 anos, vinculados(as) as ONG’s filiadas ao Fórum DCA-PB (Região Litoral).

A inciativa tem como objetivo fortalecer o protagonismo de adolescentes nas diversas temáticas tais como: Violência Sexual de Crianças e Adolescentes, Acesso à Internet Segura, Medidas Sócioeducativas, Redução da Maioridade Penal, Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, Trabalho Infantil, Sistema de Garantia de Direitos, Direitos Humanos, Conferências dos Direitos da Criança e do Adolescente, Cidadania – 1º Voto, Gravidez na Adolescência, Drogas, Direitos da Mulher, Lei dos Grêmios Estudantis, Tráfico Humano e Prevenção as Doenças Sexualmente Transmissíveis – DST.

As capacitações acontecerão na Sede da Pastoral do Menor, no Mosteiro de São Bento (Av. General Osório, SN, Centro, João Pessoa-PB), durante o período de 1 ano, no horário de 14h às 17h. As inscrições acontecerão via internet e deverão ser enviadas ao e-mail: pb.forumdca@hotmail.com no período de 23 de Setembro de 2015 à 14 de Outubro de 2015.
Confira calendário abaixo da formação:



Mais  informações: 

Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Paraíba
E-mail: pb.forumdca@hotmail.com e/ou (83)3241.7095

Carlos Júnior
E-mail: jr.carlinhos@yahoo.com.br e/ou (83)99616.6231 / (83)98795.2863

Andrezza Ribeiro
E-mail: andrezza_pequena@hotmail.com e/ou (83)98883.6208



SERVIÇO

Capacitação para Adolescentes

Período: De 19 de outubro de 2015 à 10 de outubro de 2016

Local: Mosteiro de São Bento (Av. General Osório, SN, Centro, João Pessoa-PB)

Horário: De 14h às 17h



sexta-feira, 31 de julho de 2015

Que bullying que nada, isso tem nome: é racismo e é crime!


Nesse mês estamos de férias, mas na minha escola estava rolando altas atividades nesse período, que a galera chama de colônia de férias. E lá foi eu toda linda e poderosa para participar de uma atividade de xadrez, por que além de linda, negra e poderosa, sou inteligente pra p$%#@!

Foi então que eu escuto: - “Que neguinha é essa? Eu não vou jogar com ela não!” Fiquei passada e nem dei moral. Sentei elegantemente e joguei a deixa: - “Tais pensando o que meu amor que não sei jogar? Ou é o seu racismo que não te deixa admitir perder para uma mulher negra?”

Uuuuuuuuuuuu foi babado e confusão. A galera que estava próximo começou num fuzuê danado. Foi assim que fui recebida na colônia de férias na minha escola. Daí, você deve tá pensando: mas ela é negra, por que ficou ofendida? E eu respondo pra vocês que primeiro porque colocar no diminutivo era uma forma de tentar me diminuir devido a forma irônica que a palavra foi dita. Não tenho problema em ser chamada de negra, até porque, sou negra sim e com muito orgulho da minha raça e da minha cor, porém, não aceito ser chamada de negra em tom de discriminação.

Conclusão, paramos a atividades e fomos todos pra coordenação. Chegando lá, fomos discutir o que aconteceu e a coordenadora diante de tudo isso falou o seguinte:
- Gente não dar mais parta tratar isso como brincadeira ou briguinha de colegas, isso é racismo, e é crime, a partir de agora vamos tratar como se deve, todos iremos para a delegacia fazer um boletim de ocorrência, como se trata de uma adolescente vamos na Delegacia da Criança e do Adolescente, mas você que fez esse tipo de fala, irá responder por crime de racismo, para que isso não se repita mais aqui!
Só para vocês entenderem resumidamente, o racismo impede a prática de exercício de um direito que a pessoa tenha. A injúria racial se determina pela ofensa às pessoas por raça. Ambos podem acontecer de forma muito sutil, naturalizada ou imperceptível, mesmo assim, o que não podemos é deixar passar batido. Por isso que fomos parar na delegacia.

A lei que define crimes de racismo no Brasil já tem 26 anos e ganhou muito mais força quando foram criadas outras leis, o Estatuto da Igualdade Racial (2010) –, e a Lei de Cotas (2012), Essas ultimas são ações muito importantes de reparação de tudo que nosso povo negro deixou de ter historicamente.

Como também a lei 10639 que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, E eu como não sou boba e nada, aproveitando o acontecido e sabendo dessa lei, pedi foi para fazer a exibição do filme Xadrez das cores na escola e fiz logo uma discussão com a galera. Aproveitei e disse logo que 13 de maio não é dia de negro, e que nossa data de afirmação de luta é 20 de novembro, que por sinal agora virou feriado nacional, uhuu!

Tá aí abaixo o vídeo e ele pode ser uma boa para você que quer falar sobre isso na escola. E que fique em negrito essa situação não é bullying é racismo, e racismo é crime!




Enfim, foi isso!! Mas a luta continua todos os dias, afinal foram mais de 1500 anos alimentando essa violência contra o povo negro!! Temos muito para desconstruir!
Beijos, Espero seu comentário.

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