segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Entrevista: Constituição Federal e os direitos de Crianças e Adolescentes com Carlos JR Churras


Na edição n° 71 do nosso Boletim tivemos o prazer de trocar ideias para lá de reflexiva com Carlos Alberto Jr Vulgo “Churras”. Morador da capital Paulista. Ele é o mais novo membro do Conselho de DHs de SP. Educador e formado em Publicidade e Marketing do 3° setor que compartilhou conosco um pouco de sua trajetória e o que pensa sobre  a Constituição Federal e os Direitos Humanos de Meninas e Meninos.  

Pega visão....
Carlos Alberto Júnior nasceu na periferia de São Paulo, Jardim Ângela extremo sul, seu Pai é eletricista e sua minha mãe doméstica, hoje do lar. Como Ele próprio diz na nossa conversa: “Bem Ele participou de um projeto social de uma ONG chamada Sociedade Santos Mártires que oferecia cursos no contra turno escola quando ele fez 18 anos a organização ofereceu um trabalho como educador no núcleo de crianças e adolescentes. Foi daí que começou também a sua trajetória profissional. Nesse meio do caminho, como ele mesmos enfatizou, se despertou como militante nas conferências há quase anos atrás, segundo ele, “a conferência me despertou para um olhar totalmente diferente para enxergar as políticas para crianças e adolescentes”. Insatisfeito como o modelo de como as conferencias eram organizadas, com o passar do tempo ele coordenou encontros lúdicos e conferências de crianças e adolescentes em São Paulo como forma de trazer as crianças para o debate sobre a melhoria dos seus direitos. Carlos também esteve na antiga Associação Brasileira de Magistrados e Promotores no conselho dos jovens enquanto coordenação, foi Conselheiro de direitos das crianças e Adolescentes na cidade de São Paulo, diga-se de passagem um dos mais novos conselheiro eleito, Ele também está atuando na rede de proteção, no fórum estadual de direitos de criança e adolescentes e no comitê Nacional de Enfrentamento à violência sexual.
minha história se confunde com várias outras histórias”, a de luta e convivência com diferentes aspectos de vulnerabilidades sociais.

Ufa muita coisa né?  Que nada, ele ainda toca músicas e faz parte de um bloco de carnaval da sua comunidade. A nossa conversa passou pela reflexão da garantia dos direitos de crianças e adolescentes e os 30 anos da nossa Constituição Federal que acontece esse ano.   Acesse a conversa toda e não esquece de deixar aquele comentário bafo hem!  Clica aqui!  Leia, comente e espalhem a Palavra. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Eu (nao) estou Bem - Um historia sobre a prevenção ao suicídio


Gente, lá na minha escola tivemos uma aula bem marcante e muito esclarecedora...
A minha professora chegou falando de uma campanha chamada “setembro amarelo”.
Eu achei super estranho, nunca tinha ouvido falar dessa campanha. Aliás, vi algumas coisas, mas não dei muita bola.  Depois dessa conversa, fiquei bastante curiosa em saber do que se trata a tal campanha. Minha professora começou explicado que “setembro amarelo” é a campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Gente eu fiquei chocada em saber que as maiores taxas da situação de tentativa de suicídio e das pessoas que morrem por suicídios são de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, e a partir dos 50 anos de idade. E eu fui logo perguntando se isso não era coisa de gente de cabeça fraca.  A minha professora disse que o suicídio é um problema de saúde pública.  E que não tem nada dessa essa coisa da pessoa ser cabeça fraca, que na verdade esse problema esconde outras violências como abandono emocional, homofobia, machismo, o abuso sexual...
Sei que todo mundo na sala ficou bem atento a tudo que a professora estava falando, nem parecia, a turma do 508 rs.  Bem ela explicou que o suicídio tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.
Quando ela falou isso, eu logo me lembrei de uma história que aconteceu no ano passado na escola. Me lembrei da Julia, uma menina que estudou no passado aqui na escola. Julia, quando entrou na escola, todo mundo era amigo dela, até que um dia ela revelou sua orientação sexual, dizendo para todo mundo que era lésbica. Foi o maior bafafá na escola. Eu achei a atitude super massa!!! Nós temos direito de amar quem quisemos!!!
Mas não foi isso que a maioria das pessoas achou, as pessoas se afastaram dela e, fora isso, começaram a ter atitudes preconceituosas. Ela foi ficando cada vez mais isolada e pouco ia para escola, nem postar coisas no face, no insta e stories  do  zap  ela tava  postando mais. Até que um dia recebemos a notícia que Júlia estava no hospital e que ela tinha tentado se suicidar. Todo mundo ficou chocando, e triste. A maioria do pessoal da turma foi visitar a Júlia no hospital, algumas pessoas até pediram desculpa.
Na época fiquei me perguntado por que Julia tinha feito isso???
E agora eu sei, que aconteceu com a Júlia. A minha professora falou que os adolescentes LGBT têm uma das maiores taxas de tentativas de suicídio. E isso deve-se a cultura heteronormativa e à homofobia institucionalizada, incluindo as campanhas políticas contra direitos civis e proteções para as pessoas LGBT como as campanhas políticas recentes, como por exemplo a cura gay. Fora isso, geralmente os adolescentes LGBT são rejeitados pelos pais, pela família e/ou pela sociedade.  Por isso, é importante que todos nós sejamos contra a LGBTfobia!!!
Ah agente, uma coisa que fui aprendendo com toda essa história é que não rola de  condenar e  nem jugar as pessoas  viu. Sem essa de dar sermão e banalizar o rolê.  O que para você pode ser tranquilo de superar pode não ser para outra pessoa.
A questão é muito seria gente, e não podia terminar esse poste aqui no blog sem dizer
 que tô disponível para  conversa.   Que na verdade quando a gente encontra  pessoas que não tão de boas o melhor é se colocar disponível para conversa, as vezes a pessoa só precisa de alguém que escute o que tá lhe atordoando.
 Ah outra coisa importante é quando você pede ajuda, você tem o direito de:
• Ser respeitado e levado a sério;
• Ter o seu sofrimento levado em consideração;
• Falar em privacidade com as pessoas sobre você mesmo e sua situação;
• Ser escutado;
• Ser encorajado a se recuperar.

#tôdisponivel  #chamanaConversinha . Se não tiver legal pode mandar mensagem que o mais importante é a gente se ajudar!!! Se não for comigo, alguém que você confia para desabafar.

E não se esqueça que tem os serviços de saúde como os CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde). Centro de Valorização da Vida – CVV Telefone: 141 (ligação paga) ou www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e a emergência SAMU 192, UPA, Pronto Socorro e Hospitais.
É isso, a gente precisa falar sempre sobreo suicídio, e não esquecer que ai dentro pode até tá bagunçado, mas tem um monte de gente a sua volta que pode te ajudar.







terça-feira, 31 de julho de 2018

Amigo Negro – Artigo de Larissa Amorim Borges


É preciso que sigamos lado a lado desde o amanhecer de uma nova consciência racial e de gênero
Por Larissa Amorim Borges*
Publicado originalmente em12 de Julho de 2018 no site Brasil de Fato
Julho está indo embora, e como dizemos o mês inteiro que é o #julhodaspretas, nada mais singular do que publicarmos aqui no blog um artigo feito por uma mulher negra.  Uma conversa sincera e uma reflexão profunda endereçado aos Homens, sobretudo os homens negros nessa necessidade de uma nova consciência cotidiana sobre raça e gênero.  Porque o julho é das pretas, mas os outros meses também.  E a nossa insistência em tocar nos assunto com pessoas que militam pela causa da infância, nada mais é que reafirma que na formação e desenvolvimento de meninas e meninas essa tônica precisa ser constante e presente na vida dela e deles e é nossa responsabilidade enquanto educadores, pais, mães, panhes, tias e tios, primas e primos, amigas e amigos não perdemos de vista a importância de referenciar os valores de raça, gênero e etnias.
,

Amigo Negro...

Preciso te dizer algo muito importante. Antes, porém quero que você saiba que te chamo para esta conversa porque faço uma aposta ancestral em você. Isso não é um julgamento, nem tão pouco “pagação de pau”. Não é lição de moral, nem ressentimento. Não faço esta conversa interessada em benefícios pessoais, mas por um bem viver coletivo e solidário.  Eu poderia guardar meu feminismo só pra mim e não compartilhar estas reflexões com você. Na verdade, esta seria a opção mais cômoda ou talvez mais confortável e esperada. Eu poderia continuar dialogando sobre isso com pessoas que vivem o que eu vivo e que pensam como eu e te manter à margem desta potencialidade, mas sendo uma mulher negra que luta incansavelmente pelo povo negro e percebendo a importância de você para o presente e o futuro do nosso povo e percebendo também os impactos de quem você é para o nosso projeto de vida e de mundo eu preciso falar com você e preciso que você me escute.
 
Pensando em tudo que você viveu até aqui, nesta sociedade em que o racismo e o patriarcado fazem simbioses diversas que recaem ou advêm sobre os homens negros de maneira muito violenta e desumanizante, muito provavelmente há um rastro de intensa devastação na vida das mulheres negras com as quais você convive ou conviveu, pelo qual você também é responsável. Reconhecer isso é o primeiro passo, mas também é necessário se retratar e promover algum tipo de reparação na vida destas mulheres.
Seja sincero ao consultar sua memória e perceberá que tal devastação pode ter ocorrido em diferentes momentos, de diferentes formas. Por sua presença ora acomodada, ora folgada e parasita, ou por sua ausência irresponsável e sobrecarregadora, pelo abandono afetivo, pela falta de iniciativa, pelo egoísmo sexual, pela assimetria no exercício do prazer, pela primazia na prática do esporte e do lazer, pelo não compartilhamento das tarefas domésticas, pela não contribuição financeira, pela deslealdade, pela desconsideração, pelo não encorajamento, pela invisibilidade, pela desnutrição da alma, pela destruição da autoestima, pelo abuso e exploração financeira, sexual e/ou afetiva. Por receber das mulheres negras investimentos e apoios simbólicos e materiais dos quais ela nunca recebeu nenhum retorno, nem sequer reconhecimento ou gratidão.
Outro dia, observei uma mulher negra. Ela estava cansada, mas chegou e fez comida para que parentes e agregados pudessem comer. Ao anunciar que a comida estava pronta, comida esta que ela teve que comprar, pagar, carregar, guardar e cozinhar, um exército de corpos masculinos que até então estavam muito ocupados descansando, conversando, cuidado de seu próprio prazer e interesses, adentrou rapidamente à cozinha e serviu ainda mais rápido seus próprios pratos fundos e ao mesmo tempo montanhosos. Antes que o aroma da comida pudesse se desfizesse no ar, todos estavam se alimentando e ela então voltou às panelas para se alimentar também. Mas, para sua surpresa já não havia mais comida. Somente restos, um aqui e outro ali. Apenas a sujeira das panelas para que ela pudesse lavar, secar e guardar, já que estas, como a comida, haviam custado seu próprio dinheiro. É isso que tem acontecido nas relações afetivas e também sexuais entre homens negros e mulheres negras. Somos convocadas a prover e somos recompensadas com migalhas, violência ou nada.
Te peço que pense mais um pouco e avance neste exercício de autocrítica e reflexividade e responda para si mesmo: Quem você seria hoje sem as mulheres negras que passaram por sua vida? Onde estaria? Em que condições? Que comodidades, oportunidades e possibilidades você não teria tido acesso?
A comida quentinha, a compra do carro, a vida em uma casa confortável, a ampliação do seu capital cultural, o acesso à universidade, o exercício da paternidade, um emprego melhor, o reconhecimento e valorização do seu próprio potencial, o companheirismo, o carinho, o exercício do prazer, a reconstrução da autoestima…
Quantas vezes você possibilitou estas e outras condições de vida digna para alguma mulher negra? Quem era ela? Sua pele era retinta? Seu cabelo era crespo? Seu corpo estava próximo ou se afastava do padrão hegemônico de beleza?
É incomodo pensar nisso, eu sei. Tenho pensado nisso ao longo dos anos e sentido o aprofundamento deste incômodo cada vez que vejo um homem negro preterindo mulheres negras para se relacionar com mulheres brancas. Se em 1851 as mulheres brancas recebiam ajuda para entrar nas carruagens, hoje elas recebem ajuda para entrar em carros, em ônibus em todos os espaços sociais. E eu te pergunto: Quem apoia a mulher negra? E como?
Antes de sermos a favor ou contra as relações inter-raciais precisamos pensar criticamente sobre elas e entender qual é sua função estratégica em um contexto de miscigenação como estratégia de genocídio da população negra. Ao mesmo tempo é preciso verificar se o contrário também acontece e como. Talvez estas perguntas[1] nos ajudem a pensar:
Quais homens negros têm sido eleitos como parceiros, maridos, namorados companheiros de mulheres brancas? O que eles têm oferecido para elas? O que eles significam socialmente um para o outro? Nunca encontrei nenhuma loira casada com o lixeiro ou com o padeiro, mas com frequência encontro mulheres brancas casadas com acadêmicos, cantores e jogadores de futebol. Seria isso uma simples coincidência?
Que mulheres brancas são desejadas por homens negros e brancos? Quais brancas estão acessíveis aos homens negros comuns? Corpos fora do padrão hegemônico de beleza têm sido reconhecidos como humanos? Têm recebido amor?
Como homens negros e brancos têm se relacionado com as mulheres negras? Elas são prioridade para eles? Têm sido sujeitas dignas de amor, objeto sexual, fonte de renda ou nem isso?
Eu, como outras mulheres negras, tenho aprendido a me amar cada vez mais e melhor. Pelo legado de minhas ancestrais aprendi, sei e sinto que eu me basto[2]. Mas, este aprendizado, esta compreensão, não me faz prescindir de você. Não me faz te abandonar. Não me faz te deixar para trás nesta longa jornada que temos a seguir. Contudo, é preciso que você reconheça que te carreguei no ventre, nas costas e nos braços por tempo demais. Te apoiei tempo suficiente para que você pudesse se preparar, se organizar, se reconfigurar para seguir com suas próprias pernas sem demandar ou exigir tanto ou nada de mim, mas sem correr na minha frente, sem me derrubar ou me abandonar. Refeito dos traumas do machismo racista ou ainda se refazendo das sequelas deixadas em você pelo racismo patriarcal, é necessário que você tenha coragem de olhar para cada uma de nós Mulheres Negras, com respeito, dignidade e amor. Sim, com AMOR.
Quem investe na mulher negra? Quem ama a mulher negra? Quem é capaz de oferecer o seu melhor para as mulheres negras?
As mais velhas me contaram que muitas mulheres negras, ao serem sequestradas do continente africano, trouxeram sementes de milho, feijão e outros alimentos escondidas no corpo e no cabelo, porque não sabiam para onde estavam sendo levadas nem se voltariam, nem em que condições viveriam e precisavam garantir alimento para si e para os seus, precisavam garantir a vida das próximas gerações. Cada semente contém um mapa de ancestralidades com registros precisos de tempo, espaço, clima e outras condições. Cada semente guarda em si a possibilidade da vida e todo processo de evolução e maturação de sua espécie.
Homens negros, nós mulheres negras sabemos quem são vocês e qual é sua importância. E é preciso que vocês também saibam da sua própria importância e, ao mesmo tempo, reconheçam e valorizem a nossa importância, nossa história, nossa vida e nossos corpos. Reconheçam, valorizem e retribuam o investimento e a aposta que historicamente temos feito em vocês, por nós, por vocês e pelo nosso povo em África e na Diáspora.
Homens negros, não há mais tempo para perdermos energia e vida pelo caminho. Mesmo provendo e movendo o mundo, nós mulheres negras temos sido as principais vítimas de estupro, violência doméstica, feminicídio, mortes por aborto inseguro, mortes por causas evitáveis e encarceramento por crimes de menor potencial agressivo. E mesmo assim, seguimos sendo fator definidor para a manutenção e garantia da vida de vocês, sobretudo em cenários de violência e nos diferentes contextos e expressões do genocídio. As feridas causadas em nós por tantas violências e negligências são dignas de reparações e clamam por elas.
Homens negros, sendo machistas e “palmiteiros” vocês negligenciam sua importância para se tornar marionetes estratégicas deste sistema racista patriarcal. Destroem as sementes crioulas, tesouro herdado de nossos ancestrais. Para nossa sobrevivência enquanto povo, você homem negro precisa compreender o patriarcalismo racista e seus impactos subjetivos e históricos. Você precisa se reposicionar. Desalojar os colonizadores que foram implantados em seu coração e sua mente. É hora de desconstruir as práticas cotidianas de machismo e racismo nas micro e macro relações. É preciso que sigamos lado a lado desde o amanhecer de uma nova consciência racial e de gênero para que possamos vislumbrar juntos o entardecer de um intenso processo de genocídio do povo negro.
[1] Autores que colaboram com esta reflexão: Sorjone Trhu, Fanon e Ana Claudia.
[2] Eu me basto! – Principal ensinamento de Angelou Maya para Opra. Documentário: “Eu Ainda Resisto!”

*Larissa Amorim Borges é doutoranda e Mestra PPGD em Psicologia pela UFMG, Subsecretária de Políticas para as Mulheres no Governo de Minas Gerais. Ativista da Cultura Hip Hop e integrante da Rede de Mulheres Negras MG. 

Edição: Joana Tavares

Projeto Co-Financiado União Europeia

Projeto Co-Financiado União Europeia
Os conteúdos deste blog foi elaborado com a participação financeira da União Europeia. O seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seus realizadores, não podendo, em caso algum, considerar que reflita a posição da União Europeia

...

Visitas