segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O perigo de postar fotos de crianças nas redes sociais


Muitos de nós já ouvir dizer que a internet é "terra de ninguém". Mas  podemos  pensar que mais do que ser "terra de ninguém",  ela é um espaço público.  Ou seja, uma grande  
praça onde muitos de nós se encontra.  
 

E vamos combinar que  não é tudo  que  gostamos de exibir em praça pública né verdade?  
Você mostraria um álbum de fotografias  a algum desconhecido na praça perto de sua casa?  Então porque colocamos   fotos e tanta informações  das  nossa crianças e adolescentes na rede? 
Para refletir sobre essa questão,  achamos esse artigo do site  Painel politico que  vai nos ajudar a pensar melhor sobre.

Todos os dias milhares de fotos de crianças são postados nas redes sociais, são pais e mães que não tem a mínima noção do quanto isso é prejudicial aos seus filhosMais de 90% dos pais brasileiros postam imagens de seus bebês nas redes sociais. Basta, hoje, observar a timeline de um usuário, a página de notícias do Facebook, que, certamente, haverá fotos de crianças, seja na piscina, dormindo, comendo ou até mesmo assistindo à televisão. O que antes poderia ser visto como algo “fofinho e engraçadinho” virou mania virtual e foi quantificado pela empresa AVG, de segurança e proteção na internet, em uma pesquisa mundial divulgada este mês. O estudo, realizado com 5,4 mil pais de 11 países, incluindo aí o Brasil, mostrou que postar fotos de bebês nas redes socais já é um fenômeno.

Segundo os dados, 81% das mães e pais no mundo postam fotos de seus filhos on-line. A prática é ainda mais exacerbada no Brasil, onde 94% dos pais a adotam. A maioria das fotos postadas (62%) é de bebês de até 1 ano e pelo menos 30% são de recém-nascidos. No Brasil, os pais costumam postar mais fotos de crianças de 3 anos ou mais, e apenas 12% de recém-nascidos.Você sabe o que é Morphing? Trata-se de uma prática, segundo a qual, algumas pessoas copiam fotos tiradas da internet fazem uma montagem fotográfica com uma foto pornográfica. Seria no mínimo dramático ver uma
montagem assim com o nosso filho.

Muitas vezes, essas fotografias não estão compartilhadas corretamente e não apenas nossos amigos e familiares podem vê-las, mas os amigos dos nossos amigos também, e nem todos tem o mesmo critério que a gente na escolha do compartilhamento de fotos e opiniões. Já pensou nisso?
O que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente sobre tudo isso?

O Direito da Infância e Adolescência tem regras instrumentais de natureza Cível e infracional, de rito especial instruído no Estatuto da Criança e do Adolescente. O estatuto adota o princípio da especialidade das regras, sendo aplicáveis as normas da legislação comum civil e penal (art. 152) sempre que houver lacuna ou omissão no Estatuto.

A inserção de textos no Facebook ou outras mídias que exponham criança ou adolescente é ilegal, porque fere o Direito de Respeito destas pessoas em desenvolvimento. A Constituição da República, no seu artigo 227, caput, estabelece que é dever do Estado assegurar à criança e adolescente, com absoluta prioridade, o direito à educação, à dignidade e ao respeito, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação e opressão.

A lei é clara quando diz que nenhuma criança será objeto de qualquer forma (artigo., do ECA) de negligência, de discriminação, de opressão, punindo-se qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Mais claro do que isso…

Alguns cuidados que os pais devem ter antes de postar fotos de seus filhos na rede social:

1 – Fotografias de bebés só de fralda, nus ou a tomar banho.


Muitas vezes estas fotografias são raptadas por pedófilos e compartilhadas para vários sites e redes criminosas onde a predominância é a pedofilia. O controle desses compartilhamentos e visualizações é praticamente impossível

2 – Fotografias de crianças com a farda do colégio.


Erro gravíssimo. Através da farda facilmente o pedófilo identifica a escola e muitas vezes até a classe que estudam. Se um criminoso tiver acesso ao nome dos pais, da criança e da escola, não existirá mais nenhuma barreira para que o mesmo chegue a criança e aos seus pais, já imaginou o perigo?

3 – Fotografias com pistas sobre a morada da criança

Sempre que fotografem seus filhos perto de casa, tenham o cuidado de não captar prédios, nomes de lojas ou outros detalhes que possam denunciar o a casa onde mora. Pelo menos nas fotografias que deseja postar na web.

4 – As fotografias que os seus filhos não quererão ver divulgadas quando forem adultos.

Sabemos que o bulling está na ordem do dia e sempre que partilharmos alguma gracinha dos nossos filhos, devemos ter em conta que eles poderão não achar graça alguns anos mais tarde. Ou pior, poderão outros tentar aproveitar-se dessa exposição exagerada para fazerem a vida dele um inferno.

5 – Fotografias de crianças sem que os pais tenham autorizado.

Imaginem que uma “amiga” de uma amiga resolve compartilhar a fotografia do seu filho numa daquelas páginas com um número gigante de membros. A proliferação da dessa foto pode vir a ser quase infinita. É impossível poder depois controlar ou contatar as pessoas que tiveram acesso a ela. É quase como publicar uma fotografia de uma criança num jornal de grande circulação, sem pedir autorização aos pais da criança. Digo é quase, pois é mil vezes pior. Uma fotografia na internet pode chegar mais longe que qualquer capa de jornal ou revista em papel.

6 – Fotografias com identificações de GPS.

Muitos dos celulares hoje possuem GPS, se não desligarmos essa função, torna público, no Facebook ou Instagram, o local de onde você está compartilhando as fotografias. Já pensou que um ladrão ou um raptor poderá ter acesso aos seus passos ou antecipar o horário das suas deslocações?

A internet não é um espaço tão seguro e passageiro quanto parece. Tudo que você pública é permanente e pode ser visto por pessoas do mundo inteiro. Já pensou que as fotos dos seus filhos na escola ou na piscina podem ser alvo de sequestradores e pedófilos? É hora de começar a pensar nisso antes de postar fotografias de seus filhos em sua página pessoal.

Pense antes de postar:

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Entrevista: Combater os sistemas opressores e o dia 25 de Julho. Com Áurea Carolina



Na entrevista para o boletim da Campanha Ana tivemos o prazer de conversa com Áurea Carolina. Nessa conversa além de contar sua riquíssima trajetória, ela também nos ajuda a refletir sobre como as organizações podem provocar e forma meninas e meninos com consciência crítica para combater aos sistemas de opressão. Conforme ela mesma nos afirmou que as estruturas da sociedade estão calcadas a partir das desigualdades. "Nós vivemos num país que se fundou a partir do racismos, da exploração econômica, do estrupo e da violência contra as mulheres. Poder trabalhar em processo educativos em processo de mobilização com crianças e adolescentes nessa perspectiva é uma contribuição fundamental para questionamentos dessas desigualdades".

Atualmente, Áurea Carolina está atuando como Vereadora no legislativo de Belo Horizonte. É Mulher, Negra, Cientista social, especialista em Gênero e Igualdade e mestre em Ciência Política. Foi subsecretária de Políticas para as Mulheres de Minas Gerais e uma das fundadoras do Fórum das Juventudes da Grande BH.  Confira no link (Clique Aqui)

quarta-feira, 26 de julho de 2017

De que vale seu cabelo liso e as ideias enroladas dentro da sua cabeça

Olha nós aqui de novo. Eu e você, você e eu, enfim se conectando para conversa.

E nossa prosa de hoje é bem profunda, por que não dizer de raízes.... Sim é uma raiz que se não for violenta, não sei nem como dizer que é.
Tá vamos lá.... No começo Deus crio a terra, os animais, os oceanos, o homem, a mulher... Eitaaaaa! Não tem nada a ver com isso. Ah loca rsrs!
Bom faz tempo que não escrevo, a minha última história foi sobre a desconstrução de ambientes opressores, mas de lá pra cá muita coisa aconteceu. Euzinha mudei foi muito. Na verdade estava e estou passando por um processo de transição. E quem é que não está né verdade? E tenho muitas coisas para contar. Mas vamos por partes.

Hoje quero dizer de uma transição, que parece ser estética mais não é. Como comecei falando, tem a ver com raízes, e também com reconhecimento e identidade. A organização dessa sociedade colonial, nos impõe um padrão. E como sabem quem não está dentro, principalmente quando se é criança, acabamos por sofre e sermos vítimas de violência. Dentre as reflexões que tenho feito e aprendido a ler criticamente esse mundo que nos cerca, eu fui percebendo que minha aparência não estava condizente como quem de fato sou: Mulher, negra e periférica, resolvi não ter mais o cabelo que tinha.

Pode parecer simples, mas não é. Desde muito nova mamãe alisava meus cabelos, com a desculpa de que era mais fácil para ajeitar, mas, na verdade ela queria me poupar de chacotas nas escolas, por eu ter o cabelo crespo. Quem nunca ouviu na escola alguém dizer apelidos e brincadeiras sobre os cabelos de pessoas negras que ofende e desvalorizam a essência da estética negra, que atire a primeira pedra. Ops...Pare, stop! Nada de atirar nada em ninguém!

Isso está relacionado ao embranquecimento da população negra, uma forma de nos fazer acreditar que realmente éramos inferiores, que nosso cabelo era ruim e que tínhamos que ser o mais próximo possível do branco, mas ruim é o racismo. Nosso cabelo é uma raiz profunda que nos conecta a uma história de muita força e resistência

Depois do boom de alisamentos definitivos e progressivos que surgiram nos anos 2000, as donas de fios alisados, assim como eu, começaram a se questionar: “Será que eu aliso meu cabelo para ter mais facilidade no dia a dia ou para me incluir em um grupo que é imposto pela sociedade?”. Se você prefere o visual liso, tudo bem, não há problema nenhum nisso afinal temos autonomia de transformar o nosso corpo, mas, se você passou a fazer isso para se enquadrar em algum padrão é importante refletir se isso realmente te faz feliz.

Quando me perguntei isso, adivinhem: Eu não estava nada feliz.

Aí você deve tá pensando: - Mas Ana, isso tudo é muito viagem sua.

Eu lhe respondo: Será?

Hoje pode até parecer que ser negra e negro está na moda, mas são anos de luta e resistência para que possamos assumir nossa negritude da forma que mais nos agrada. E assim foi que fiz, de novembro pra cá, tenho feito o processo de transição.

Mas o que realmente é a tal transição capilar? Nada mais é do que o processo que seu cabelo dá tchau para a química até crescer totalmente e chegar ao natural. Vale lembrar que, acima de tudo, a transição também é uma forma de aceitação do seu fio. Se você fazia relaxamento, permanente, escova progressiva ou qualquer outro tipo de alisamento químico ou mecânico e agora decidiu parar, pois bem, isso significa que você está em transição.

Enfim, hoje tô mais black, e mais power também. Desenrolei as ideias dentro da minha cabeça. Aproveitando que  foi dia da mulher negra latina e caribenha, escolhi mostra a todos vocês meu novo visu. Em baixo estão as fotos de todo o processo. Na verdade de parte do processo. E aí vocês curtiram? Deixa seus comentários bjos








Projeto Co-Financiado União Europeia

Projeto Co-Financiado União Europeia
Os conteúdos deste blog foi elaborado com a participação financeira da União Europeia. O seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seus realizadores, não podendo, em caso algum, considerar que reflita a posição da União Europeia

...

Visitas