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segunda-feira, 31 de julho de 2017
Entrevista: Combater os sistemas opressores e o dia 25 de Julho. Com Áurea Carolina
Na entrevista para o boletim da Campanha Ana tivemos o prazer de conversa com Áurea Carolina. Nessa conversa além de contar sua riquíssima trajetória, ela também nos ajuda a refletir sobre como as organizações podem provocar e forma meninas e meninos com consciência crítica para combater aos sistemas de opressão. Conforme ela mesma nos afirmou que as estruturas da sociedade estão calcadas a partir das desigualdades. "Nós vivemos num país que se fundou a partir do racismos, da exploração econômica, do estrupo e da violência contra as mulheres. Poder trabalhar em processo educativos em processo de mobilização com crianças e adolescentes nessa perspectiva é uma contribuição fundamental para questionamentos dessas desigualdades".
Atualmente, Áurea Carolina está atuando como Vereadora no legislativo de Belo Horizonte. É Mulher, Negra, Cientista social, especialista em Gênero e Igualdade e mestre em Ciência Política. Foi subsecretária de Políticas para as Mulheres de Minas Gerais e uma das fundadoras do Fórum das Juventudes da Grande BH. Confira no link (Clique Aqui)
quarta-feira, 26 de julho de 2017
De que vale seu cabelo liso e as ideias enroladas dentro da sua cabeça
Olha nós aqui de novo. Eu e você, você e eu, enfim se conectando para conversa.
E nossa prosa de hoje é bem profunda, por que não dizer de raízes.... Sim é uma raiz que se não for violenta, não sei nem como dizer que é.
Tá vamos lá.... No começo Deus crio a terra, os animais, os oceanos, o homem, a mulher... Eitaaaaa! Não tem nada a ver com isso. Ah loca rsrs!
Bom faz tempo que não escrevo, a minha última história foi sobre a desconstrução de ambientes opressores, mas de lá pra cá muita coisa aconteceu. Euzinha mudei foi muito. Na verdade estava e estou passando por um processo de transição. E quem é que não está né verdade? E tenho muitas coisas para contar. Mas vamos por partes.
Hoje quero dizer de uma transição, que parece ser estética mais não é. Como comecei falando, tem a ver com raízes, e também com reconhecimento e identidade. A organização dessa sociedade colonial, nos impõe um padrão. E como sabem quem não está dentro, principalmente quando se é criança, acabamos por sofre e sermos vítimas de violência. Dentre as reflexões que tenho feito e aprendido a ler criticamente esse mundo que nos cerca, eu fui percebendo que minha aparência não estava condizente como quem de fato sou: Mulher, negra e periférica, resolvi não ter mais o cabelo que tinha.
Pode parecer simples, mas não é. Desde muito nova mamãe alisava meus cabelos, com a desculpa de que era mais fácil para ajeitar, mas, na verdade ela queria me poupar de chacotas nas escolas, por eu ter o cabelo crespo. Quem nunca ouviu na escola alguém dizer apelidos e brincadeiras sobre os cabelos de pessoas negras que ofende e desvalorizam a essência da estética negra, que atire a primeira pedra. Ops...Pare, stop! Nada de atirar nada em ninguém!
Isso está relacionado ao embranquecimento da população negra, uma forma de nos fazer acreditar que realmente éramos inferiores, que nosso cabelo era ruim e que tínhamos que ser o mais próximo possível do branco, mas ruim é o racismo. Nosso cabelo é uma raiz profunda que nos conecta a uma história de muita força e resistência
Depois do boom de alisamentos definitivos e progressivos que surgiram nos anos 2000, as donas de fios alisados, assim como eu, começaram a se questionar: “Será que eu aliso meu cabelo para ter mais facilidade no dia a dia ou para me incluir em um grupo que é imposto pela sociedade?”. Se você prefere o visual liso, tudo bem, não há problema nenhum nisso afinal temos autonomia de transformar o nosso corpo, mas, se você passou a fazer isso para se enquadrar em algum padrão é importante refletir se isso realmente te faz feliz.
Quando me perguntei isso, adivinhem: Eu não estava nada feliz.
Aí você deve tá pensando: - Mas Ana, isso tudo é muito viagem sua.
Eu lhe respondo: Será?
Hoje pode até parecer que ser negra e negro está na moda, mas são anos de luta e resistência para que possamos assumir nossa negritude da forma que mais nos agrada. E assim foi que fiz, de novembro pra cá, tenho feito o processo de transição.
Mas o que realmente é a tal transição capilar? Nada mais é do que o processo que seu cabelo dá tchau para a química até crescer totalmente e chegar ao natural. Vale lembrar que, acima de tudo, a transição também é uma forma de aceitação do seu fio. Se você fazia relaxamento, permanente, escova progressiva ou qualquer outro tipo de alisamento químico ou mecânico e agora decidiu parar, pois bem, isso significa que você está em transição.
Enfim, hoje tô mais black, e mais power também. Desenrolei as ideias dentro da minha cabeça. Aproveitando que foi dia da mulher negra latina e caribenha, escolhi mostra a todos vocês meu novo visu. Em baixo estão as fotos de todo o processo. Na verdade de parte do processo. E aí vocês curtiram? Deixa seus comentários bjos
E nossa prosa de hoje é bem profunda, por que não dizer de raízes.... Sim é uma raiz que se não for violenta, não sei nem como dizer que é.
Tá vamos lá.... No começo Deus crio a terra, os animais, os oceanos, o homem, a mulher... Eitaaaaa! Não tem nada a ver com isso. Ah loca rsrs!
Bom faz tempo que não escrevo, a minha última história foi sobre a desconstrução de ambientes opressores, mas de lá pra cá muita coisa aconteceu. Euzinha mudei foi muito. Na verdade estava e estou passando por um processo de transição. E quem é que não está né verdade? E tenho muitas coisas para contar. Mas vamos por partes.
Hoje quero dizer de uma transição, que parece ser estética mais não é. Como comecei falando, tem a ver com raízes, e também com reconhecimento e identidade. A organização dessa sociedade colonial, nos impõe um padrão. E como sabem quem não está dentro, principalmente quando se é criança, acabamos por sofre e sermos vítimas de violência. Dentre as reflexões que tenho feito e aprendido a ler criticamente esse mundo que nos cerca, eu fui percebendo que minha aparência não estava condizente como quem de fato sou: Mulher, negra e periférica, resolvi não ter mais o cabelo que tinha.
Pode parecer simples, mas não é. Desde muito nova mamãe alisava meus cabelos, com a desculpa de que era mais fácil para ajeitar, mas, na verdade ela queria me poupar de chacotas nas escolas, por eu ter o cabelo crespo. Quem nunca ouviu na escola alguém dizer apelidos e brincadeiras sobre os cabelos de pessoas negras que ofende e desvalorizam a essência da estética negra, que atire a primeira pedra. Ops...Pare, stop! Nada de atirar nada em ninguém!
Isso está relacionado ao embranquecimento da população negra, uma forma de nos fazer acreditar que realmente éramos inferiores, que nosso cabelo era ruim e que tínhamos que ser o mais próximo possível do branco, mas ruim é o racismo. Nosso cabelo é uma raiz profunda que nos conecta a uma história de muita força e resistência
Depois do boom de alisamentos definitivos e progressivos que surgiram nos anos 2000, as donas de fios alisados, assim como eu, começaram a se questionar: “Será que eu aliso meu cabelo para ter mais facilidade no dia a dia ou para me incluir em um grupo que é imposto pela sociedade?”. Se você prefere o visual liso, tudo bem, não há problema nenhum nisso afinal temos autonomia de transformar o nosso corpo, mas, se você passou a fazer isso para se enquadrar em algum padrão é importante refletir se isso realmente te faz feliz.
Quando me perguntei isso, adivinhem: Eu não estava nada feliz.
Aí você deve tá pensando: - Mas Ana, isso tudo é muito viagem sua.
Eu lhe respondo: Será?
Hoje pode até parecer que ser negra e negro está na moda, mas são anos de luta e resistência para que possamos assumir nossa negritude da forma que mais nos agrada. E assim foi que fiz, de novembro pra cá, tenho feito o processo de transição.
Mas o que realmente é a tal transição capilar? Nada mais é do que o processo que seu cabelo dá tchau para a química até crescer totalmente e chegar ao natural. Vale lembrar que, acima de tudo, a transição também é uma forma de aceitação do seu fio. Se você fazia relaxamento, permanente, escova progressiva ou qualquer outro tipo de alisamento químico ou mecânico e agora decidiu parar, pois bem, isso significa que você está em transição.
Enfim, hoje tô mais black, e mais power também. Desenrolei as ideias dentro da minha cabeça. Aproveitando que foi dia da mulher negra latina e caribenha, escolhi mostra a todos vocês meu novo visu. Em baixo estão as fotos de todo o processo. Na verdade de parte do processo. E aí vocês curtiram? Deixa seus comentários bjos
segunda-feira, 24 de julho de 2017
As origens do Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha
Via Portal Geledés
A população negra corresponde a mais
da metade dos brasileiros: 54%, segundo o IBGE. Na América Latina e no Caribe,
200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes, de acordo com a
Associação Mujeres Afro. Tanto no Brasil quanto fora dele, porém, essa
população também é a que mais sofre com a pobreza: por aqui, entre os mais
pobres, três em cada quatro são pessoas negras, segundo o IBGE.
Por Helô
D’Angelo Do Revista Cult
Quando
se trata nas mulheres negras da região, a situação é ainda mais
alarmante. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dos
25 países com os maiores índices de feminicídio do mundo, 15 ficam na América
Latina e no Caribe.
Em
um contexto de tanta violência, mulheres negras negras são mais vítimas de
violência obstétrica, abuso sexual e homicídio – de acordo com o Mapa da
Violência 2016, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos no
Brasil, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013 (enquanto os casos com
vítimas brancas caíram 10%).
Barradas
dos meios de comunicação, dos cargos de chefia e do governo, elas
frequentemente não se vêem representadas nem nos movimentos feministas de seus
países. Isso porque a desigualdade entre mulheres brancas e negras é
grande: no Brasil, mulheres brancas recebem 70% a mais do que negras, segundo a
pesquisa Mulheres e Trabalho, do IPEA, publicada em 2016. Há 25 anos, um grupo
decidiu que uma solução só poderia surgir da própria união entre mulheres
negras.
Em
1992, elas organizaram o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e
Caribenhas, em Santo Domingos, na República Dominicana, em que discutiram sobre
machismo, racismo e formas de combatê-los. Daí surgiu uma rede de mulheres que
permanece unida até hoje. Do encontro, nasceu também o Dia da Mulher Negra
Latina e Caribenha, lembrado todo 25 de julho, data que foi reconhecida pela
ONU ainda em 1992.
No Brasil – que tem o maior índice de
feminicídios na América Latina -, a presidenta Dilma Rousseff transformou a
data em comemoração nacional. Aqui, desde 2014, comemora-se em 25 de julho o
Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra – em homenagem
à líder quilombola que viveu no século 18 e que foi morta em uma
emboscada.
Esposa
de José Piolho, Tereza se tornou rainha do quilombo do Quariterê, no Mato
Grosso, quando o marido morreu, e acabou se mostrando uma líder nata:
criou um parlamento local, organizou a produção de armas, a colheita e o
plantio de alimentos e chefiou a fabricação de tecidos que eram
vendidos nas vilas próximas.
Assim
como o Dia Internacional da Mulher (comemorado em 8 de março), o 25 de Julho
não tem como objetivo festejar: a ideia é fortalecer as organizações voltadas
às mulheres negras e reforçar seus laços, trazendo maior visibilidade para sua
luta e pressionando o poder público.
Por
isso, no Brasil, no Caribe e na América Latina em geral, diversos eventos de
protesto e luta estão sendo planejados para marcar a data. Em São Paulo, em
Brasília e no Rio de Janeiro, por exemplo, acontecem Marchas das Mulheres
Negras na terça (25) – eventos que já chegaram a agregar trinta mil pessoas.
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